25 de janeiro de 2018

"Brasil a Bordo" estreia hoje na Globo após o BBB18






Criada pelo ator Miguel Falabella, a atração faz um paralelo entre a situação brasileira e uma companhia aérea quebrada.
“Acho que, há alguns anos, nós vivemos em um voo cego que não se sabe direito onde vai dar. Então, pensei em juntar as nossas incongruências nacionais à condição de uma empresa em perigo”, destaca Falabella.
Na série, ele interpreta Vadeco, um dos comandantes da Piorá Linhas Aéreas. A empresa de aviação da família Cavalcanti, que cresceu às custas de trambiques, é severamente atingida pela falta de circulação de dinheiro no mercado.
Berna (Arlete Salles), a chefona que herdou a empresa do pai, vê a Justiça declarar a falência da Piorá. E tem de amargar uma ordem para continuar funcionando: os funcionários devem ter o direito de participar da diretoria da empresa e de suas decisões.
Berna, seu marido, Gonçalo (Luís Gustavo), e seus cunhados, Vadeco e Durval (Marcos Caruso), no entanto, prometem lutar com todas as forças para não dividir o poder que têm. Começa, então, um cabo de guerra com as funcionárias Shaniqwa (Mary Sheila de Paula), São José (Maria Vieira) e Almira (Stella Miranda).
“A série levará o espectador a se reconhecer apertando os cintos, vivendo em turbulência, sonhando alto, sentindo-se nas nuvens e vendo que tudo pode ‘piorá’”, brinca Caruso com o nome da empresa.
Família. Os Cavalcantis, protagonistas de “Brasil a Bordo”, têm um modo peculiar de lidar entre si. Na comédia, a família mostra harmonia – ou não, conforme a situação.
A união começa com a empresa Piorá Linhas Aéreas. Sua dona, Berna, emprega todos os parentes, incluindo o marido, os cunhados e os sobrinhos Caravelle (Maria Eduarda de Carvalho) e Decenove (Frank Borges). Todos também moram na mesma casa, mas isso não significa que sejam ligados.
“A interação entre eles é inconstante. Eles têm relações de poder e acordos. A todo momento estão brigando e se aliando uns aos outros, dependendo do que querem”, explica Maria Eduarda.
A dupla de comandantes Vadeco e Durval também segue o mesmo comportamento. “Eles são almas que se completam. Enquanto Durval é direto e introspectivo, Vadeco é atirado. A rivalidade aparece quando os dois estão pilotando. Um quer saber mais do que o outro”, diz Caruso.
Essas relações malucas seguem em paralelo à falta de ética da família. “Vendo o noticiário, me veio uma frase: o Brasil é um país que só consegue se entender pelo delírio. Usei a comédia, que eu considero a melhor maneira de falar com as pessoas, para mostrar isso”, conta Falabella.
No Globo Play. Os 12 episódios da série foram disponibilizados para os assinantes do Globo Play, em globoplay.globo.com, em maio de 2017, e ainda podem ser assistidos, na íntegra, no site.
Alteração
“Brasil a Bordo”, que estreia na noite desta quinta na Globo, estava programada para ser exibida no começo do ano passado. Porém, a tragédia com o avião do time da Chapecoense, que matou 71 pessoas em dezembro de 2016, mudou os planos da emissora, que avaliou não haver clima para exibir um conteúdo sobre aviação. 

 

Abandono e bonecas infláveis

Outro ponto engraçado da série “Brasil a Bordo” está nas histórias particulares da família Cavalcanti. Viúvo de Lucerna, uma das irmãs de Berna, Durval tem um jeito próprio de matar a saudade de relacionamentos. “Ele nunca mais se envolveu com uma mulher de carne e osso. Após a morte da mulher, ele só se relaciona com bonecas infláveis”, conta o ator Marcos Caruso.
Ao menos seu filho, Decenove, lhe dá grandes alegrias. Ele, gay assumido, é marido de Camilinho (Rafael Canedo), muito querido pelo sogro. “Durval sente absoluta tranquilidade em relação à sexualidade do filho. Ele tem no marido do filho um genro que adora”.
Já seu colega comandante Vadeco vive uma angústia maior. Sua mulher, Genebra, o abandonou há anos sem nunca mais dar sinal de vida. Ficou com ele a única filha do casal, Caravelle. “Ela é adoravelmente mimada. A Caravelle cresceu com o hábito de furtar objetos e afirma que isso surgiu por conta da carência que sentia da mãe”, adianta Maria Eduarda, que vive Caravelle.
A jovem só sabe ser generosa quando o assunto é ajudar o marido, Johnny Beautiful, vivido por Magno Bandarz. Sem talento para a música, ele acredita que, um dia, dominará as paradas de sucesso. “Ele é a catarse do mundo cibernético, em que qualquer coisa é possível”, diz Bandarz.

Apaixonada pelo companheiro e com as forças voltadas à carreira dele, Caravelle nunca perturbou o pai para saber o paradeiro da mãe. “Eu acredito que, no fundo, ela sempre soube onde a Genebra esteve”, diz Maria Eduarda.

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