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8 de março de 2018

HOJE EM O QUE O TEMPO LEVOU...



Após ser condenada e ficar anos na prisão, Estela finalmente terá sua liberdade. O que acontecerá daqui pra frente com ela, Maurício e seu filho Téo?

E quanto a Frau Herta? Será que depois de tanto tempo continuará impune? E o que será dela agora que o fantasma de Manoel a assombra?

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ÀS 17 HORAS!!

7 de março de 2018

O Que o Tempo Levou: Últimas Semanas (Capítulo 23)




ANO DE 2010
CENA 1: PEDRA FINA | TRIBUNAL | SALA RESERVADA | INTERIOR | MANHà
Estela e Maurício se afastam após o beijo, sorrindo e tentando por alguns minutos que seja, afastar seus temores. Maurício volta a puxar Estela para um outro abraço, afagando os cabelos dela.
MAURÍCIO: – Estarei com você para sempre, Estela, pois te amo muito, te amo com todo meu coração, com toda minha alma. – Afirma, passando a mão de forma carinhosa pela face dela. – O tempo não vai levar nosso amor. – Conclui antes de sentí-la por um último momento.

CENA 2: PEDRA FINA | TRIBUNAL | INTERIOR | MANHà
Todos estão em seus devidos lugares. Estela entra acompanhada de uma policial, ela segue até o lugar reservado, ficando de frente para quase todos os presentes. Carmen chora, amedrontada pelo que possa ser a decisão dos jurados, Bianca abraça a mãe, acreditando também que a irmã mais nova será inocentada. O juiz dá início ao julgamento.

CENA 3: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO ROMANO | CASA DOS FERREIRA | SALA | INTERIOR | FIM DA MANHà
Rosa está parada, olhando pela janela, pensa no julgamento de Estela. Seus olhos correm pelo pequeno jardim do lado de fora quando Clodoaldo se aproxima, pousando sua mão no ombro de sua esposa.
CLODOALDO: – O que você acha que vai acontecer? – Clodoaldo questiona, pensativo.
ROSA: – Eu realmente não sei, Clodoaldo. Mas espero que a verdade prevaleça, que o tempo não leve a liberdade de uma pessoa boa e que nada fez para merecer algo tão ruim. – Responde, cabisbaixa.

CENA 4: PEDRA FINA | TRIBUNAL | FIM DA TARDE
Com algumas paradas rápidas, o julgamento segue até o fim da tarde. Todos aguardam a decisão dos jurados. Maurício está parado próximo da porta, pensando em tudo quando Filipe se aproxima com uma expressão um tanto enigmática.
MAURÍCIO: – Ela está com muito medo, acho que todos nós da família estamos, todos que a conhecemos não queremos pensar no pior. A gente quer ela lá fora novamente. – Comenta, suspirando profundamente.
FILIPE: – Acredite… eu fiz de tudo o que estava ao meu alcance, Maurício.  Eu espero realmente que a verdadeira justiça seja feita. – Diz, pousando a mão no ombro dele. – Vamos confiar!
Assim que os principais retornam, todos se acomodam novamente nos devidos lugares. Estela se levanta à pedido do juiz, que também faz o mesmo. Bianca olha para mãe, que por sua vez olha com muita raiva para Frau Herta, que se mantêm de óculos escuros, tentando não olhar para o lado. Filipe também se mostra apreensivo diante do que possa acontecer.
Estela olha diretamente para todos que estão presentes, começa a se sentir meio tonta, coloca a mão na barriga. Maurício estranha. O juiz começa a falar. Estela se senta na cadeira, e fecha os olhos devagar, ouvindo o juiz dizer algumas palavras, ela desmaia, deixando seus familiares apreensivos.
Anos Depois 

ANO DE 2017
TERCEIRA FASE
CENA 5: PEDRA FINA | PRESÍDIO | CELA| INTERIOR | MANHà
Estela, com os cabelos curtos, olha para uma carta recebida das mãos de Maurício, ela sorri ao ver um desenho peculiar de criança, seus olhos lacrimejam. Uma das outras duas detentas se aproxima.
LEIA: – Outra carta do bonitão? – Pergunta, se aproximando.
Estela balança a cabeça positivamente, sorrindo.
ESTELA: – Mas dessa vez também veio uma do meu filho. – Comenta, sem deixar de transparecer toda sua felicidade.
LEIA: – Como ele se chama?
Estela caminha devagar até a cama e se senta, pensativa.
ESTELA: – Ele se chama Téo. – Responde, voltando seu olhar  para o desenho.
A outra prisioneira as observa de forma atenta, sentada em sua cama. Estela fica pensativa, suspirando pausadamente, logo deixando algumas lágrimas caírem.
ESTELA: – Sete anos aqui já, e só por eles que eu suporto tudo isso. Se eu não os tivesse, com certeza já teria desistido. Meu coração se enche de alegria sempre que olho para as carta dele… e agora do meu filho. – Diz, cabisbaixa.
LEIA: – O que fizeram com você foi muita falta de humanidade Estela. Você foi acusada e condenada de um crime que não cometeu enquanto o verdadeiro culpado está lá fora. – Diz ao parar próxima da cama.
ESTELA: – Fizeram tudo bem feito, Leia. Aquele maldito jantar só era uma desculpa para fazer o que fizeram com o Manoel e depois me acusarem. – Ela se levanta. – Mas juro que o dia que eu sair daqui, não importa o tempo, vou atrás da verdade que as autoridades ignoraram.
Leia abraça Estela. A outra prisioneira se aproxima, antes com uma cara de poucos amigos, agora sorri.
BETH: – Assim que se fala, Estela. Não pode deixar que essa pessoa saía dessa sem sentir o que você sentiu. – Diz, se aproximando.
De repente, a carcereira bate destranca a porta, ficando parada observando as três.
CARCEREIRA: – Estela Belmonte… você tem visita. – Informa, deixando Estela feliz, mas ao mesmo tempo um tanto intrigada. – É o seu advogado. – Conclui.

CENA 6: PEDRA FINA | PRESÍDIO | INTERIOR | MANHà
Estela é conduzida pela agente penitenciária até a sala reservada para as visitas. Estela se senta na cadeira, sendo separada por uma tela com furos medianos, ela sorri ao ver Filipe.
FILIPE: – Eu achei que você iria recusar minha visita novamente. – Diz, sorrindo.
ESTELA: – Aquela fase já passou, Filipe. Mas o que o traz aqui? – Pergunta, curiosa e direta.
FILIPE: – Eu prometi pra você que não ia deixar isso tudo de lado, prometi que ia fazer de tudo para encontrar a verdade… e com a ajuda do Emílio. – Ele sorri. – E do Maurício, o mais interessado nisso tudo, nós enfim conseguimos encontrar a verdade, com provas está livre, Estela! – Informa, sorridente, deixando Estela paralisada e incrédula.

CENA 7: PEDRA FINA | CASA DE FRAU HERTA | INTERIOR | MANHà
Frau Herta ouve uma música clássica enquanto toma um bom vinho em sua taça de cristal, ela desce pela escada, entre sorrisos. Frau Herta beberica o conteúdo na taça até que sente um calafrio estranho e deixa a taça cair, quebrando e fazendo o vinho escorrer. Ela levanta o olhar e acredita estar vendo Manoel bem no pé da escada, então se agarra ao corrimão de madeira, assustada.
FRAU HERTA: – Não! Não… de novo não! Vá embora, vá embora! – Grita, desesperada.
A campainha toca, Frau Herta amedrontada não escuta, sua expressão é de aterrorizada.
CONTINUA

HOJE EM O QUE O TEMPO LEVOU!!


Estela está passando por maus bocados novamente. Após ser presa por armação de Frau Herta, nossa querida protagonista será julgada pela morte de Manoel.
QUAL SERÁ SUA SENTENÇA? SERÁ QUE CONSEGUIRÃO PROVAR A INOCÊNCIA DE ESTELA?

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5 de março de 2018

O Que o Tempo Levou: Capítulo 21



Ano de 2009
CENA 1: PEDRA FINA | DELEGACIA | INTERIOR | NOITE
Carmen acaba de falar com o irmão, se encosta na parede e respira aliviada pelo mesmo ter conseguido um advogado para a filha. Enquanto isso, Estela  se senta na cadeira de frente para o delegado Emílio. Ele a observa atentamente, e seu faro de policial não consegue ver nenhuma culpa na mulher na sua frente. Estela abaixa a cabeça, triste e pensando em Manoel que morreu de uma forma tão misteriosa.
Alguns minutos se passam, e logo um homem jovem,  todo trajado no terno, entra.
FILIPE: – Boa noite Delegado, sou o advogado da moça aqui. – Diz, se apresentando ao se aproximar de Emílio.
EMÍLIO: – Pois bem, estava realmente à sua espera para que pudéssemos começar ouvindo a acusada. – informa, indicando a outra cadeira vazia. Ele faz sinal para o escrivão que balança a cabeça de forma positiva.
Estela começa a contar tudo o que ela sabe sobre o que está sendo acusada.

CENA 2: PEDRA FINA | APARTAMENTO DE MÁRCIA | INTERIOR | MADRUGADA
Márcia está em seu quarto, arruma algumas malas com certa rapidez, temendo que descubram toda a verdade. Ela olha para o celular, que toca  de maneira insistente, ignora as chamadas e termina o que estava fazendo.
MÁRCIA: – Eu deveria ter feito isso antes, deveria ter me contentado com o nada e partido para bem longe. – Diz, olhando para o espelho da porta do guarda-roupa. Ela se assusta, pois pensa que viu um vulto, pega a mala já arrumada e sai do quarto, apressada.

CENA 3: PEDRA FINA| DELEGACIA | INTERIOR | MADRUGADA 
Estela continua contando sua versão. Filipe a orienta muito bem, mas mesmo assim não consegue impedir que ela seja detida até que sua inocência seja provada. Assim que Estela é levada, Filipe encara o delegado com certo desgosto.
FILIPE: – Eu tenho certeza que ela não matou ninguém delegado. – Diz com convicção enquanto fecha a pasta.
EMÍLIO: – Eu também tenho essa certeza, Filipe. – Comenta, deixando o advogado surpreso.
FILIPE: – Então qual o motivo de mantê-la aqui, presa? – Questiona, voltando a olhar diretamente para o delegado.
EMÍLIO: – Eu não posso burlar a lei, Filipe. Você terá que ‘fazer’ isso da forma correta. – Responde, sério.
FILIPE: – Obrigado! – Agradece, seguindo em direção a porta e saindo da sala do delegado.

CENA 4: PEDRA FINA | MADRUGADA 
Filipe segue em seu carro, no banco do carona está a mãe de Estela. Filipe deixa Carmen em frente a casa de Jorge, se despendido em seguida. Carmen chora, pensando em como a filha mais nova deve estar.
O dia logo amanhece.

CENA 5: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO ROMANO | CASA DOS FERREIRA | SALA | INTERIOR | MANHà
Maurício desce pela escada um pouco desatento, ainda parece estar com sono, mas desperta um pouco mais ao ouvir o som alto da TV que está ligada no jornal. Rosa está sentada assistindo ao noticiário da manhã. Maurício para atrás do sofá e arregala os olhos.
REPÓRTER  (Televisão): – Estamos aqui em frente a delegacia principal de Pedra Fina, aguardando mais esclarecimentos acerca da morte do jovem empresário Manoel Ferreira, que segundo fontes, foi assassinado por sua namorada, Estela Belmonte. A qualquer momento, voltamos com mais informação…
Rosa se virou e viu Maurício.
MAURÍCIO: – Não! Eu tenho certeza que ela não fez isso… eu conheço a Estela, mãe. – Diz, olhando diretamente para Rosa. – Ela é incapaz  de fazer mal a alguém. – Conclui, intrigado. – Eu tenho que ver como ela está, não posso  ficar  aqui…
ROSA: – Se ela não fez isso,  logo a verdade vai aparecer, filho.  Ninguém pode manter um inocente preso. – Diz ao se levantar e abraçar Maurício, que chora no ombro da mãe.

CENA 6: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO COSTEIRO | CASA DOS BELMONTE
Bianca desliga a televisão,  está boquiaberta com a notícia que acabou de ver também. Ela olha para o relógio de parede,  ficando pensativa.
BIANCA: – A Estela? Não, jamais ela faria algo assim, tenho certeza. Ela não mata nenhuma mosca que dirá uma pessoa. Há algo muito errado nisso tudo. – Diz, voltando seu olhar para a tela da televisão desligada
Bianca se levanta do sofá e começa a caminhar de um lado para o outro, confusa.

CENA 7: PEDRA FINA | APARTAMENTO DE MÁRCIA |EXTERIOR | MANHà
Filipe sai do elevador e segue direto para a porta do apartamento da irmã, está intrigado por ter visto o nome dela como uma das mulheres que acusou Estela de forma impiedosa. Filipe toca a campainha, depois de não obter resposta alguma dessa forma, ele  bate na  porta de forma insistente.
FILIPE: – Onde você se meteu, Márcia? – Se pergunta enquanto se afasta da porta. A porta da frente se abre, e uma mulher sai.
MULHER: – A moradora desse apartamento aí parece que viajou ontem, rapaz.
Filipe se espanta com tal informação.

CENA 8: PEDRA FINA | DELEGACIA | CELA | INTERIOR | MANHà
Estela está sozinha em uma cela, percorre os olhos pela parede enquanto está sentada em um banco de concreto. Ela se levanta e segue  até a janela, olhando que já é dia.
ESTELA: – O que eu fiz para estar passando por isso? Mas isso não é nada comparado ao que o Manoel deve ter sofrido. – Diz, sentida, abaixando a cabeça.
De repente, um policial bate na grade.
POLICIAL: – Tem visita para você. – Informa, se prontificando a abrir a cela.

CENA 9: PEDRA FINA | DELEGACIA |SALA | INTERIOR | MANHà
Estela é conduzida algemada até uma sala reservada, assim que a porta é aberta, ela fica de frente para Maurício. O policial tira a algema de Estela, e sai, fechando a porta. Estela caminha devagar até Mauricio, que não se contém e a abraça fortemente.
MAURÍCIO: – Eu sei que você não fez nada disso, Estela. – Afirma, a observando encostar a cabeça em seu ombro. – Eu vou fazer de tudo para tirar você daqui.
Maurício percebeu o jeito da barriga de Estela, então se afastou um pouco, intrigado com isso.
MAURÍCIO: – Você está grávida? – Perguntou, presumindo a resposta. – Está grávida! – Diz, voltando o olhar para Estela, que se encontra cabisbaixa. Ele volta a se aproximar, tocando o rosto de Estela. – É do Manoel? – Volta a questionar, com receio.
Estela deixa algumas lágrimas caírem, fazendo com que Maurício a abrace novamente, pensativo.
ESTELA: – É nosso… – Diz, chorosa. – É nosso filho, Maurício. – Afirma, sentindo como se tivesse no meio de um turbilhão de emoções.

CENA 10: PEDRA FINA | DELEGACIA | SALA DO DELEGADO | FIM DA MANHÃ
Emílio entra sozinho em sua sala, olha tudo em volta e acha estranho ao ver um saco transparente com algo dentro. De repente um policial entra.
POLICIAL: – Uma senhora trouxe isso há algum tempo já, delegado.
EMÍLIO: – O que será? – Se pergunta, curioso enquanto pega o saco nas mãos e passa a analisar a olho nu um frasco em seu interior. Ele estende o saco para o policial. – Leve para a perícia agora mesmo. – Diz, entregando o saco com o frasco para o outro policial, que sai sem demora.
Emílio se senta na cadeira e fica olhando para o nada, pensando  no caso que tem em mãos.

CENA 11: PEDRA FINA | DELEGACIA | INTERIOR | TARDE
Filipe observa Emílio mexer no computador de mesa, de vez em quando os olhares se cruzam de forma rápida. A porta então se abre e o mesmo policial de mais cedo chega trazendo um papel em mãos, olha rapidamente para Filipe e segue, entregando o papel para Emílio. O policial deixa a sala.
FILIPE: – Então, o que é que está acontecendo? – Pergunta, intrigado.
Emílio se levanta, dando a volta na mesa, parando próximo de Filipe.
EMÍLIO: – Parece que tudo se complicou para a sua cliente, doutor Filipe. – Responde, estendendo o papel para Filipe.
Filipe alterna em olhar para o papel, e para o rosto de Emílio. Os dois parece estarem incrédulos.
CONTINUA

28 de fevereiro de 2018

O Que o Tempo Levou: Capítulo 18






Ano de 2009
CENA 1: PEDRA FINA | CASA DE MANOEL | QUARTO | INTERIOR | TARDE
Manoel está sentado, olhando para Estela que observa algo pela janela.  Ele se levanta e se aproxima dela.
MANOEL: – Não sei se fiz certo ao aceitar isso. – Diz, voltando seu olhar para fora. Estela passa a olhar para ele.
ESTELA: – Por mais que ela tenha feito aquilo, acredito que mereça uma segunda chance… até agora ela está tratando eu e minha  mãe da melhor forma possível. – Revela, fazendo com que Manoel a olhe diretamente nos olhos.
MANOEL: – Sério isso? Ela não está sendo mais maldosa? – Pergunta, incrédulo.
ESTELA: – Parece que ela realmente está querendo se redimir, Manoel. – Afirma, sorridente.
MANOEL: – Vamos ver como ela vai agir nesse jantar de hoje a noite. Aí dela se ousar destratar você novamente ou qualquer outra pessoa. – Diz, pensativo. – Você convidou sua irmã? – Pergunta se movendo um pouco para a frente.
ESTELA: – Tive que fazer isso, pois tenho muitas coisas para acertar com ela, Manoel. – Afirma, cabisbaixa. – Mas isso eu farei em um local reservado, não quero estragar esse jantar.
MANOEL: – Pode usar o escritório para ficar mais a vontade e dizer tudo o que tem para dizer a sua irmã. – Diz, segurando a mão dela. – E não tenha receio, pois ninguém faz o que ela fez com a família. – Conclui, abraçando Estela, que ao encostar a cabeça no ombro dele se pega pensando em Maurício.

CENA 2: PEDRA FINA | CASA DE FRAU HERTA | SALA | INTERIOR | TARDE
A campainha toca, fazendo com que Frau Herta desça pela escada com uma  certa pressa. O sorriso no rosto da tia de Manoel é nítido.
FRAU HERTA (Pensando): – Deve ser ela!
Frau Herta abre a porta, deixando que Márcia entre. As duas ficam frente a frente. Frau Herta aparenta estar mais contente do que Márcia.
FRAU HERTA: – Realmente até achei que você não viria. – Diz como se não tivesse feito nada.
MÁRCIA: – Só estou aqui por não querer ir parar na cadeia, Frau Herta, pois se fosse por mim, estaria fora do país há muito tempo.
FRAU HERTA: – Tenho certeza de que você está aqui não só por isso. – Aftima sem deixar o sorriso desaparecer. – Você viu a foto da mulher com quem meu sobrinho está, não viu? – Indaga, encarando Márcia.
MÁRCIA: – Eu vi sim, Frau Herta, mas o que tem isso a ver com o que você disse querer falar comigo? – Pergunta, tentando disfarçar o incômodo, pois sente ciúmes de Manoel.
FRAU HERTA: – Não tente disfarçar o que até as pedras sabem, Márcia. Está na cara que você está com ciúmes, pois meu sobrinho está com uma  pobre coitada  e não com você. Mas isso  pode mudar. – Responde, caminhando  até o sofá sob o olhar intrigado de Márcia. Frau Herta se vira após pegar um frasco de vidro em cima da mesa ao lado do sofá. – Você só vai precisar disso aqui. – mostra o frasco. – para tirar ela do seu caminho.
MÁRCIA: – Não! Da última vez, você colocou o Manoel no meio disso tudo, e ele quase morreu.
FRAU HERTA: – Aquilo foi um erro, eu  admito, mas dessa vez você fará tudo sozinha e de quebra poderá ficar com quem você ama. Se você não fizer isso, Márcia, então diga adeus a todos os sonhos que sei que você tem nessa mente. – Diz, provocativa.
Márcia levanta o olhar, que alterna entre Frau Herta e o frasco que ela tem nas mãos.

CENA 3: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO ROMANO | CASA DOS FERREIRA | SALA | INTERIOR | FIM DE TARDE
Maurício sai do quarto e segue pela escada até chegar na sala, onde estão seus pais sentados no sofá, eles se viram e encaram o filho.
MAURÍCIO: – Vocês não vão mesmo, pais? – Pergunta assim que se aproxima do sofá.
CLODOALDO: – Sua mãe está um pouco indisposta, filho, então ficarei com ela. – Responde, voltando o olhar para Rosa, que está ao lado dele.  – Vá e nos represente nesse jantar com o Manoel. – Diz, sorridente.
Maurício se aproxima um pouco mais, beijando a testa da mãe, que o olha com grande ternura.
MAURÍCIO: – Prometo que volto amanhã mesmo. – Afirma, começando a andar em direção a porta.
ROSA: – Vai com Deus, filho. – Deseja assim que o filho abre a porta.
MAURÍCIO: – E vocês fiquem com ele! – Deseja antes de sair.

CENA 4: ONDAS DO PARAÍSO | RODOVIA | FIM DE TARDE
Bianca segue em um táxi pela rodovia que a está levando até Pedra Fina. Ela olha pela janela o sol que começa a se pôr.  Bianca esboça um leve  sorriso, se lembrando do que fez para separar sua irmã de Maurício.
BIANCA (Pensando): – O que será que ela quer comigo? Tenho certeza que ela não descobriu nada do que fiz, nem poderia já que a nossa mãe está em um lugar que ela jamais encontraria. – Se pergunta, pensando. Bianca tenta encontrar um motivo para que sua irmã queira sua presença no jantar.

CENA 5: PEDRA FINA | CASA DE MANOEL | SALA | INTERIOR | NOITE
Estela desce degrau por degrau vestida em um vestido simples, mas que realça ainda mais sua beleza estonteante. Assim que pisa no último degrau, Manoel pega nas mãos dela.
MANOEL: – Você está belíssima! – Diz, beijando o rosto dela. Estela cora, um pouco envergonhada.
ESTELA: – Minha mãe se aprontou, Manoel? – Pergunta, correndo os olhos pelo ambiente.
MANOEL: – Ela está na cozinha, Estela… e por incrível que pareça, está junto da minha tia. – Diz, sorrindo. – Só espero que corra tudo bem tal como está agora.
ESTELA: – Vai sair, Manoel. Tudo vai dar certo. – Afirma, sorrindo.
A campainha toca, uma das empregadas passa por Maurício e Estela, seguindo até a porta e a abrindo de forma imediata. Estela sente um arrepio assim que vê Márcia.  Manoel a observa entrar.
CONTINUA...

20 de fevereiro de 2018

O Que o Tempo Levou: 12° Capítulo






Ano de 2009
CENA 1: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO ROMANO | CASA DOS FERREIRA | SALA | INTERIOR | TARDE 
Maurício está baixado próximo do corpo de Bianca. Rosa sai do escritório junto de Clodoaldo, Maurício levanta o olhar. Rosa se aproxima do filho.
ROSA: – Quem é essa mulher e o que aconteceu com ela, filho?  – Pergunta um tanto assustada.
MAURÍCIO: – Ela é irmã da Estela, mãe… Eu não sei, mas parece que ela se jogou da escada, eu nem mesmo toquei nela. – Responde voltando a olhar para Bianca que continua desacordada. – Liga para a ambulância, pai. Ela precisa. – Pede, nervoso.
Clodoaldo volta rapidamente para o escritório. Maurício fica perto da mãe, os dois temem que o pior possa acontecer. Clodoaldo retorna e traz boas notícias. Cerca de 10 minutos é o Tempo que a ambulância demora para chegar já que estava por perto quando Clodoaldo ligou.
MAURÍCIO: – Eu preciso avisar a Estela do que aconteceu aqui, mãe. Eu tenho que fazer isso pessoalmente. – Diz enquanto observa Bianca despertando na maca, mas não se mexendo. – Essa mulher é doente.
ROSA: – Por quê? – Pergunta, intrigada.
MAURÍCIO: – Ela disse que me ama, mãe. Ela é irmã da mulher que eu amo, não poderia agir dessa maneira. – Responde visivelmente embaraçado.

CENA 2: PEDRA FINA | TARDE
As montanhas e morros que cercam a cidade dão uma beleza sem igual para a cidade de Pedra Fina. As ruas da cidade estão movimentadas. Pessoas vem e vão pelas calçadas. Alguns veículos passam em frente a casa de Manoel.

CENA 3: PEDRA FINA | CASA DE MANOEL | SALA | INTERIOR | TARDE
Frau Herta está sentada no sofá, ela olha para o celular e depois encara o quadro de sua irmã na parede. Frau Herta se levanta e para próxima do quadro.
FRAU HERTA: – Não vai adiantar de nada, irmã querida… você não me deixou sua fortuna, mas eu vou conseguir arrancar de seu filho. – Diz, sorridente. – Essa casa toda será minha, tudo que era seu será meu, e você não vai poder fazer nada pra me impedir de agir. Frau Herta caminha pela belíssima sala, só para quando a campainha toca. Ela não espera que a empregada venha atender.
FRAU HERTA: – Que bom que você veio! – Diz depois de abrir a porta. – Entre! – Ela se afasta para o lado permitindo a passagem de Márcia.
Márcia passa por Frau Herta, que volta a fechar a porta.
MÁRCIA: – Eu confesso que fiquei curiosa com seu telefonema.
FRAU HERTA: – Tenho certeza de que você vai gostar do que tenho para lhe dizer, minha querida. Fique tranquila pois é de seu interesse também, tenho grande certeza. – Afirma, sorridente.

CENA 4: ONDAS DO PARAÍSO | TARDE
As ondas batem no paredão de pedra e espirra água para muitos lados. Pescadores em Alto mar lançam suas redes. Algumas pessoas passam à pé em frente da casa dos Belmonte.

CENA 5: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO COSTEIRO | CASA DOS BELMONTE | EXTERIOR | TARDE
Maurício toca a campainha e não demora muito para que Estela apareça, ficando um pouco surpresa ao vê-lo ali. Maurício se perde por uns minutos enquanto observa seu grande amor, mas logo volta a si.
ESTELA: – O que você está fazendo aqui? – Pergunta, surpresa.
MAURÍCIO: – Aconteceu uma coisa, Estela. Sua irmã foi me procurar, eu não sei o porquê. Ela acabou sofrendo um acidente. – Conta, temeroso.
Estela fica visivelmente assustada, ela olha para dentro de casa, preocupada com a mãe.
ESTELA: – E onde a minha irmã está, Maurício? – Questiona com grande preocupação.
MAURÍCIO: – Ela foi para um hospital aqui perto, Estela. Se quiser, eu levo você até lá. – Responde.
ESTELA: – Não será um incômodo? Eu posso chamar um táxi.
MAURÍCIO: – De maneira alguma, Estela. Eu levo você até lá, faço questão.
Estela entra rapidamente dentro de casa e sai com sua bolsa. Ela e Maurício entram no carro, que segue para o hospital.

CENA 6: PEDRA FINA | CASA DE MANOEL | SALA | INTERIOR | TARDE
Márcia agora está em pé, ela olha pela janela enquanto é observada por Frau Herta.
MÁRCIA : – Eu não sei de onde a senhora tirou essa ideia, mas eu não gosto do seu sobrinho como a senhora pensa.
FRAU HERTA: – Quem você quer enganar, Márcia? Até um cego vê que você nutre um desejoso grande pelo meu sobrinho. Admita e aceite o que eu acabei de propor, olha que é melhor me ter a seu favor do que ao contrário. – Diz, sorrindo de maneira maliciosa.
Márcia fica pensativa enquanto continua sendo observada pela tia de Manoel. Márcia volta seu olhar para Frau Herta, as duas se encaram.
MÁRCIA: – Eu aceito! – Diz tentando não demostrar toda sua felicidade.
Frau Herta se levanta do sofá e caminha até Márcia.
FRAU HERTA: – É o início de uma excelente parceira, minha cara. – Afirma, sorridente.

CENA 7: ONDAS DO PARAÍSO 
O sol se põe de forma belíssima. Algumas pessoas caminham e outras correm na orla da praia. O movimento dos veículos é mediano nas avenidas e ruas. Uma ambulância deixa o hospital.

CENA 8: ONDAS DO PARAÍSO | HOSPITAL | INTERIOR | NOITE
Estela caminha de um lado para o outro na sala de espera, olha constantemente para o relógio de parede. Maurício se aproxima dela e a abraça com grande carinho.
MAURÍCIO: – Vamos pensar positivo, Estela. Sua irmã vai ficar bem, acredite! – Diz enquanto afaga os cabelos de Estela.
Assim que vê o médico entrando na sala, Estela sai do abraço de Maurício, está ansiosa por notícias da irmã mais velha. O médico a olha com uma cara não muito boa, parece ser portador de más notícias.
ESTELA: – Como ela está, doutor ? – Questiona, intensamente preocupada.
O médico encara Estela que está preocupadíssima com o estado de saúde da sua irmã. Maurício a abraça enquanto ela desaba emocionalmente no ombro dele.
MÉDICO: – Se ela seguir a risca o tratamento, esse quadro pode ser revertido e ela poderá voltar a andar. Ela está acordada e depois que eu disse que você estava aqui, ela me pediu para chamá-la.
O médico deixa os dois a sós.
ESTELA: – Isso não podia ter acontecido com ela, Maurício. Minha irmã não vai mais andar, ela não vai mais movimentar as pernas. – Diz, chorosa.
MAURÍCIO: – Ela vai sim, Estela. Vamos acreditar que ela vai, você ouviu o que o médico disse.
ESTELA: – Eu e minha mãe não temos condições de fazer isso, Maurício. – Diz, penalizada.
MAURÍCIO: – Não se preocupe com isso, eu vou ajudar vocês no que for preciso, Estela. Vamos confiar em Deus, primeiramente. – Ele olha para ela. – Vai lá falar com ela, eu espero aqui.
ESTELA: – Obrigada por tudo, Maurício. – agradece enquanto sai do abraço.
Maurício observa Estela seguir pelo corredor que leva até os quartos.

CENA 9: HOSPITAL | QUARTO | INTERIOR | NOITE
Estela para de frente ao quarto onde Bianca está, ela respira profundamente e entra. Bianca está deitada, acordada e olhando para o teto. Estela se aproxima da cama de Bianca, que olha para a irmã mais nova.
BIANCA: – Estela! – Diz ao vê-la. – O que houve comigo? – Questiona se sentindo um pouco estranha.
ESTELA: – Você sofreu um acidente, Bianca, mas tudo vai ficar bem, minha irmã. – Responde com certa emoção ao também se lembrar do que o médico disse.
Bianca desvia o olhar da irmã, e relembra tudo que aconteceu, pensa no verdadeiro motivo por ter ido até a casa de Maurício. Bianca começa a chorar de um momento para o outro, deixando Estela muito mais preocupada.
BIANCA: – Foi ele, Estela… foi o Maurício. – Diz demostrando estar com certo medo.
Estela segura na mão da irmã, que a encara.
ESTELA: – O que o Maurício tem a ver, Bianca? O que você quer dizer, minha irmã?
BIANCA: – Foi o Maurício que me empurrou daquela escada, foi ele… foi ele quem me jogou de lá. – Responde forçando o choro. – Eu me lembro, foi ele!
Estela fica visivelmente chocada com a acusação da irmã. Ela solta a mão de Bianca. Estela segue para perto da janela com a mão na boca. Longe do campo de visão da irmã, Bianca esboça um leve sorriso.
ESTELA: – O Maurício não! – Diz enquanto deixa as lágrimas caírem.

CENA 10: ONDAS DO PARAÍSO | PEDRA FINA
Estela ouve Bianca, que inventa algumas mentiras para acusar Maurício de sua queda da escada. Estela briga com Maurício, que vê sua amada não aceitando sua palavra. Maurício vai embora do hospital, magoado. A noite avança, logo a madrugada se aproxima e também vai embora com certa rapidez. Estela passa a noite ao lado da irmã no hospital. Maurício pensa em tudo que aconteceu. A manhã chega e Maurício consegue adormecer, assim como Estela, que descansa na poltrona. O dia logo passa, Carmen é avisada por Estela do que aconteceu com Bianca, e então se junta as filhas no hospital.
DIAS DEPOIS 
Os dias passam, em Pedra Fina, Márcia começa a frequentar com mais assiduidade a casa do amigo Manoel, muito mais na intenção de conquista-lo do que qualquer outra coisa. Manoel por sua vez não dá tanta importância à Márcia, pois para ele, ela sempre será somente amiga.

CENA 11: BAIRRO ROMANO | CASA DOS FERREIRA | SALA DE JANTAR | INTERIOR | MANHà
Clodoaldo e Rosa estão tomando café quando Maurício se junta a ele. Maurício está sério, mal olha para os pais. Rosa para um pouco e encara o filho.
ROSA: – Não há nada que a gente possa fazer, filho? – Questiona, desejosa por ajudar o filho de alguma maneira.
MAURÍCIO: – Não há, mãe. Eu também resolvi deixar para lá. A Estela prefere acreditar na louca da irmã dela do que acreditar em mim. Eu vou trabalhar, focar no trabalho e deixar que o tempo mostre a verdade.
CLODOALDO: – Um dia a verdade vai aparecer, filho, pode acreditar e aí sim você poderá viver esse amor com a Estela.
MAURÍCIO: – Eu não sei se vou querer mais viver esse amor… A Estela não acredita, não confia em mim, então é melhor que o tempo leve tudo isso embora para sempre. – Afirma com o coração cheio de mágoa.

CENA 12: ONDAS DO PARAÍSO 
As ondas batem no paredão de pedra e espirra água para muitos lados. Pescadores em Alto mar lançam suas redes. Algumas pessoas passam à pé em frente da casa dos Belmonte, logo um táxi para em frente a casa. Estela sai do carro, o taxista ajuda a tirar a cadeira de rodas do porta-malas.

CENA 13: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO COSTEIRO | CASA DOS BELMONTE | EXTERIOR | INTERIOR | MANHà
Bianca está sentada na cadeira de rodas, Estela empurra a cadeira com todo cuidado. Estela olha para todos os lados, o táxi vai embora enquanto elas entram na casa.
Carmen vem da cozinha ao escutar que as duas filhas chegaram. Bianca se encontra empurrada, ela olha rapidamente para a mãe.
BIANCA: – Me leve para o quarto, Estela. Quero ficar um pouco sozinha.
ESTELA: – Tudo bem.
Bianca segue para o quarto com a ajuda da irmã que empurra sua cadeira.

CENA 14: CASA DOS BELMONTE | COZINHA | INTERIOR | MANHÃ
Carmen olha para Estela que entra na cozinha depois de deixar Bianca no quarto. Estela abre a geladeira e pega uma garrafa com agua, depois segue até o armário e pega um copo, Carmen a observa.
CARMEN: – Você não teve culpa, filha. – Diz ao perceber certa tristeza no olhar da filha mais nova. – E você sabe o que eu penso, o Maurício jamais faria algo assim tão cruel.
ESTELA: – Eu acredito na Bianca, mãe… O Maurício, achei que eu conhecia ele, mas não conheço de verdade.
CARMEN: – O que você está pensando em fazer, Estela? Eu te conheço e sei que você está pensando em algo.
Estela se serve com água, toma um pouco do líquido e olha para a mãe.
ESTELA: – Estou certa de ir morar com meu tio, mãe. Essa cidade não é mais para mim, não é para nós. – Responde voltando o olhar para o copo. – Eu vou reconstruir minha vida por lá e tentar esquecer toda essa decepção que vivi.
Carmen se aproxima da filha e abraça com carinho.
CARMEN: – Você não pode fugir dos seus sentimentos, filha.
ESTELA: – Eu não estou fugindo dos meus sentimentos, mãe. Eu vou, pois preciso e o tempo vai se encarregar de levar esse sentimento pela pessoa errada para bem longe. – Diz antes de se afastar do abraço da mãe.
Assim que Estela sai do abraço da mãe, ela sente uma forte tontura, e Carmen consegue segurar a filha, que desmaia nos braços da mãe.
CONTINUA...

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