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28 de novembro de 2020

ADOROWEB: O PROBLEMA DA ARTE ENGAJADA


É conhecido, hoje que vivemos em um mundo globalizado, a constante gama de informações que nos acometem todos os dias, seja por mídias sociais, abertas ou escritas, fazendo com que seja quase impossível não formar alguma opinião sobre um assunto. Assim, inevitavelmente, acabamos nos inserindo em certos círculos que, representam nosso modo de pensar, sejam eles, páginas de internet, movimentos ou até mesmo partidos políticos. Mas, meu propósito com este artigo não é de maneira nenhuma apontar isso como um problema e muito menos dizer qual o melhor jeito de ver o mundo, mas de apontar um grave dilema, visto hoje em toda a arte contemporânea: a arte engajada.

Podemos observar em toda a arte hoje produzida, a moda do “discurso engajado” ou “de protesto”, que se classifica como a utilização da arte para expressar uma certa corrente de pensamento, e que praticamente tomou todo o modo de pensar atualmente. Tanto em webs virtuais, novelas como em qualquer outra produção, os autores ou a mídia divulgadora exaltam os assuntos que a obra irá tratar antes mesmo de apresentar a sinopse, como em séries como “Cara gente branca” por exemplo. Suas chamadas promocionais e até mesmo suas críticas, baseiam-se muito mais na “irreverência do tema” ou na intitulada “importância para a sociedade” do que na qualidade da obra em si.

Isso porque, hoje, a mensagem ou o assunto retratado tornou-se mais importante do que a forma pela qual a obra o apresenta, uma verdadeira inversão do que realmente é a arte. É claro que, definir o que seja a arte não é tarefa fácil e muito menos será realizada aqui, o que proponho, portanto, não é levantar a questão sobre o que consideramos como arte ou não, e sim, como a estamos vendo e usando hoje em dia.

Você vai ao cinema, em sua mente já sabe o que deseja: bom enredo, personagens bem desenvolvidos e emoção, ao invés, encontra uma história vazia e cheia de chavões, com péssimo diálogo e atuações fraquíssimas. Chegando em casa, escreve um post no facebook, expressando sua decepção, e eis que de repente é confrontado com diversos comentários em tons altos e raivosos como: “Racista”, “misógino”, “lugar de fala”, “privilégio”...  Perplexo, você se pergunta o que aconteceu, pois estava apenas falando de um filme.

Acontece que o filme tratava de um assunto político, como o feminismo, por exemplo, assim, criticar o filme, aos adeptos dessa ideologia, mostrasse como instantaneamente colocar-se contra ela. Como acontecido no fracassado Ghostbusters (2016), fraquíssimo em termos técnicos, mas que colocou a culpa de seu baixo número em bilheteria no “machismo” e “racismo sistêmico” do público, pois o longa possuía protagonistas mulheres e negras, ignorando completamente que temos tido mulheres e negros como principais em filmes de altíssimo sucesso, como Mulher maravilha e MIB por exemplo.  

Da mesma forma, quando nos deparamos com bons filmes, irrepreensíveis no que se diz respeito ao trabalho de escrita, direção e etc, mas que não trazem algum tipo de requerimento ou crítica quanto a sociedade ou inserção de grupos representativos políticos como LGBTs, somente uma história com bom enredo e desenvolvimento, vemos um ataque agressivo da mídia e blogs incessantemente a condenar o filme com os mesmos termos antes mostrados.

O que fica claro então nos dois exemplos apontados é que, para estes grupos, os requisitos técnicos, a arte bem-feita, já não importa em absoluto, e sim, a mensagem que ela irá transmitir para a sociedade. Assim como, qualquer produção que não contenha os traços do discurso do que chamamos de “politicamente correto” deve ser rechaçado e banido, como já vem acontecendo em muitos casos.

Chegamos ao ponto hoje de ter “E o vento levou”, um clássico, ganhador de 10 oscars, e referência para o cinema mundial, censurado por, pasmem, “mostrar uma visão atenuada da escravidão”! Ou seja, uma história baseada na época em que a escravidão era considerada tão comum como ser um carteiro, e pelo qual a primeira mulher negra ganhou sua indicação ao oscar, é acusado de ser racista!

Ao fim, não se trata mais de encantar o público com uma bela história, de produzir boa música ou captar a fotografia perfeita, mas de servir ao discurso seleto de um grupo elitizado, sem rosto, mas que se personifica nas falas de cada apresentador de Tv e nas palavras de cada artigo de jornal. Como em uma inquisição moderna, mas desta vez, sem julgamento, apenas a sentença categórica, onipotente, que te coloca ou como um gênio absoluto ou como um nazista desgraçado!

Não se enganem, a arte sempre possui uma ideologia, os grandes escritores, de fato, serviram a lideres políticos, e usaram seu talento para influenciar a política de sua época. Mas o que fez sua arte ultrapassar seu tempo, ser lida e imitada por diversos autores e emocionar a todos até o dia de hoje, é que ela era muito maior que sua mensagem.

Você pode não entender os requerimentos sociais ou as ideias políticas que Virgílio tinha, afinal, hoje vivemos em tempos distintos, mas isso não te impedirá de se encantar com a saga de Eneias em Troia. (Lhe soa familiar?); ou mesmo que não concorde com a visão socialista revolucionária de “O poço”, ainda poderá se impressionar com a experiência aterrorizante do longa. Pois a verdade é que o talento não possui ideologias.

No entanto, quando críticos escolhem o discurso politizado em detrimento da boa obra, retirando estrelas e pontuações somente por não conter sua própria visão de mundo, o que estão fazendo é criar um terrível padrão em que transforma a arte, antes veículo de beleza e reflexões humanas que ultrapassa línguas e chega sem barreiras a todos os corações, em apenas um cavalete, feito para pendurar as propagandas do governo e das grandes empresas, mera propaganda, em nada diferente de uma palestra ou um textão no facebook.

E assim, ao invés de autores temos ideólogos, propagandistas vazios e escritores rasos que, com o passar do tempo, quando suas reivindicações não fizerem mais sentido, terão suas obras condenadas ao esquecimento, talvez, como um registro histórico, semelhante a um selo ou achado arqueológico, que não evoca qualquer sentimento ou emoção.

Não deixemos que isso aconteça.

Virgílio era maior que sua política, porque amava a poesia e a beleza acima dela. Ora, a primeira é passageira, sempre muda, sempre oscila, enquanto que as últimas nunca deixam de perder o valor divino, por isso Virgilio vive até os dias de hoje. Jesus disse que, aonde quer que estivesse o coração do homem ali estava seu tesouro. Cabe, então a nós escolhermos os elogios presentes ou a glória eterna.


 


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Notas DIGG TV

1. Essa coluna está protegida pela lei nº 9.610/1998, Art. 46 III, que protege a utilização de qualquer obra ou trechos dela, em qualquer mídia ou meio de comunicação para fins de crítica, estudo, ou polêmica.
2.     As opiniões expressas nessa coluna não refletem necessariamente as da DIGGTV. Elas são de total responsabilidade do autor.
3.     Este quadro não tem como intuito rebaixar ou menosprezar qualquer autor ou obra, mas sim, de abrir um diálogo em prol da qualidade literária.
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21 de novembro de 2020

ADOROWEB: DESEJOS DE VINGANÇA: UMA HISTÓRIA... IDIOTA!

        

Oláá weblovers, e como estão vocês? Gente, mais um ano acabando, dezenas de críticas postadas, já chegando a hora das merecidas férias... E devo dizer, muito do que eu havia planejado para esta coluna não aconteceu, mas quer saber? Estou muito feliz porque mesmo em meio a tanta loucura, pudemos continuar com nossas análises e tanta coisa bacana aconteceu! Quero agradecer a todos os meus maravilhosos leitores, aos que me sugeriram webs, aos que me criticaram e também aos haters que me divulgaram. Vocês são demais! Prometo que, neste ano que virá farei o que for possível para trazer muitas novidades, e claro, análises cada vez melhores para vocês!

Mas sem mais delongas, vamos para a história de hoje?

Autor(a): Sbteiro e Diego
Ano: 2018

Quem conhece esta coluna há um tempo já deve saber que existem dois tipos de histórias: as boas e as ruins. Entre as ruins, existem as que não tem sentido, as de enredo vazios ou completamente  ou as terrivelmente  e as que não , mas existe um tipo que, acredito eu nunca havia mencionado, mas que de fato defini muitas que já li, inclusive a de hoje: a história idiota.

Diferente das obras ruins por serem vazias ou insanas, este estilo não necessariamente possui erros esdrúxulos de sentido, ás vezes, as coisas até tem uma lógica aceitável, ainda que, um pouco bizarra; os personagens, mesmo que vazios, possuem um certo direcionamento e o enredo em si parece, na maior parte do tempo, caminhar para um objetivo. O problema é que tudo isso é feito de uma forma tão superficial e despreparada que, embora o leitor creia na história não consiga levá-la a sério.

Começamos com Mauro, um personagem sem nenhuma descrição aparente, não sabemos como é e nem o que faz, mas ao menos, sabemos o que deseja: casar com Lucia para fazer ciúmes em Verônica. Ok, mas porque ele quer ficar com Verônica? E porque casar com Lúcia fará Verônica se apaixonar por ele de novo? E se o objetivo é somente fazer ciúmes, por que precisa casar? Isso não somente criaria um obstáculo ainda maior entre os dois? O enredo nunca nos responde. Porém, aí é que está: poderíamos, se quiséssemos, chegar a uma resposta para tudo isso, ao menos inventada, e fazer tudo isso ter sentido, no significado estrito da palavra, mas isto não conseguiria tirar o sentimento do quanto o tema é bobo ou mal pensado, em outras palavras, idiota.

Da mesma forma é quando Lúcia descobre a traição de Mauro. Ela se sente ressentida e com razão, mas não pensa em vingança, até ter esse diálogo com a chefe:

Anabela - por que esta atrasada?
Lucia - descobri quer o meu marido me enganou.Anabela 
- claro, quem iria querer uma mulher fraca como você?
Lucia - me acha fraca?Anabela - sim, olhando já percebe, e pode ir embora que não quero mais problemas.Lucia - pode deixar, irei me vingar de todos.

Esta personagem jamais tinha sido apresentada e de repente, ela aparece do nada apenas para dar motivo para a protagonista se vingar. E vejam, não podemos dizer que não houve a motivação para vingança da protagonista, de fato, aconteceu uma ação para ocasionar uma resposta, ela somente aconteceu de forma idiota.

E como dito acima, o enredo segue sim um rumo, pois a mocinha, após estabelecer um objetivo, que antes foi construído sobre motivação apresentada, cumpre seu plano ao se tornar chefe da presidência para o qual trabalham Mauro, Verônica e Anabela. E como ela consegue isso? Porque ela é amiga do dono, que lhe concede o cargo. É razoável que um amigo lhe presenteie com o cargo máximo da empresa como prova de amizade? Provavelmente não, mas também não é totalmente impossível. No entanto a maneira como ela se vinga é que chega a ser a melhor de todas, por ironicamente, ser a mais realista imaginável...

Ela os demite!

Sim, não posso negar que em um cenário realista essa seria a coisa mais plausível que um chefe faria aos funcionários cujo o qual quer se vingar. Mas, em termos de narrativa, acaba dando uma resolução fácil e rápida demais para o problema central pelo qual girou todo o enredo, terminando por parecer com que tudo não passasse de uma tremenda perda de tempo!

Ao fim, a questão da obra idiota é que, se fosse feito de forma diferente, com o mesmo script, somente que, com um melhor desenvolvimento de personagens, roteiro, descrição, ambientação, e neste caso, toda a forma básica de estrutura de narrativa, poderíamos ter tido sim um boa novela, mas pela ausência dos elementos que somente o conhecimento pode oferecer, temos um texto raso, fraco e tolo!

Alguns podem acusar esta crítica de estar ofendendo o escritor ou quem quer que seja, mas se enganam, pois idiota não é aquele que não consegue aprender, mas aquele que ainda não tem o conhecimento. Dessa maneira, a obra pode sim ser idiota, mas seu autor, só o é, se desejar.



É isso aí meus weblovers queridos, espero que tenham gostado e vejo vocês na próxima crítica! Beijoos e bye bye! 

 


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Notas DIGG TV

1. Essa coluna está protegida pela lei nº 9.610/1998, Art. 46 III, que protege a utilização de qualquer obra ou trechos dela, em qualquer mídia ou meio de comunicação para fins de crítica, estudo, ou polêmica.
2.     As opiniões expressas nessa coluna não refletem necessariamente as da DIGGTV. Elas são de total responsabilidade do autor.
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12 de novembro de 2020

ADOROWEB: ENCONTRO DA PAIXÃO: COMO NADA JAMAIS VISTO!

       

Oláa meus weblovers, tudo bem com vocês? Ansiosos para esse fim de pandemia, quer dizer, de ano? Nada como nos reunirmos de novo na mesa para o natal, não é mesmo? Bem, isso se os nossos governantes permitirem, é claro, já que as aglomerações são extremamente proibidas... A não ser quando nos aglomeramos no dia da eleição! Mas antes de você já ir pensando no seu candidato, bora pra critica?

Ano: 2019
E preparo vocês para a história de hoje, pois, de fato, nem mesmo eu estava preparada o nível de inovação e inventividade que encontrei. O modo como cria seu enredo, apresenta seus personagens, soa totalmente novo, posso dizer, não somente da literatura moderna, como de toda a história mundial! Eu sequer podia acreditar no que meus olhos estavam presenciando e, confesso, ainda não me recuperei, por isso, para realizar esta crítica, somente conseguirei comentar recapitulando passo a passo de sua historia, tamanho o meu abismamento! 

Começamos com a jovem Mia, bem, acreditamos ser uma jovem, mas o texto realmente não nos diz, e aqui temos a característica mais marcante e inovadora desta web: seu mistério. Diferente de todas as outras histórias escritas desde a criação do mundo, os personagens de "Encontro da paixão" não possuem descrições. Isso mesmo! Como são, o que sentem, o que desejam, sequer suas personalidades, nada é dito, tornando-os seres sem rosto, quase inexistentes ou engmáticos se preferir, pode ser uma mulher, ou um ser de outro planeta ou um abajur, quem sabe? E tudo isso adiciona a um tom de mistério absolutamente original!

Mas Mia, que pode ser um abajur ou um mico leão dourado, está tendo conflitos com sua mãe, como vemos neste maravilhoso diálogo:

Angélica: Deixa de falar bobagens! Acontece que sua irmã trabalha, se você não quer ser comparada a ela, por que você não arruma um trabalho, filha?

Mia: Porque não tenho vontade!

Angélica:  Vou pedir para a Ana encontrar um trabalho para você.

Mia: Aff você não tem consideração comigo!

Vejam como os personagens saem da lógica comum, fugindo dos clichês de "fazer sentido" ou ter "semelhança com o mundo dos seres humanos". E não é somente os personagens que inovam como também o enredo: para que focar no tema proposto no começo, explicando porque Mia não deseja trabalhar e apresentar uma mudança na personagem? A autora ousa deixando isso completamente de lado, e nunca mais toca no assunto, oferecendo assim diversas possibilidades para seu enredo. Brilhante!

Logo partimos para Ana, sua irmã, que sofre uma tentativa de estupro pelo seu chefe. E aqui temos que parabenizar a excelente escolha de elenco de Arlindo Grund no papel de Beatriz.

(Mauro rasga a blusa de Ana é tenta a estuprar)

Ana : Alguém? Socorro!

Mauro : Para de gritar! (Mauro dá uma bofetada em Ana)

Beatriz : O que está acontecendo aqui?

Ana : O Advogado tentou me abusar (Chorando)

Beatriz : Como o senhor pode Advogado?

Mauro : Não tenho que te dar explicações

Beatriz : Venha Ana, venha trocar de blusa, esse monstro rasgou a sua!

Mas não se preocupem, ela está bem, e quando digo bem, digo que, após o ato ela nem o denuncia e sequer lembra de contar a mãe quando chega em casa!

Uma ação um pouco inesperada, adimito, assim como todas nesta história, mas isso é devido ao tom de surpresa buscado, no qual o leitor esteja sempre em dúvida do que os personagens irão fazer depois. Esqueça aqueles individuos que agem conforme suas personalidades ou estruturas psicológicas como nas obras comuns, isso é passado, aqui, tudo é possível, eles podem se apaixonar ou cometer suicídio na mesma intensidade e na mesma cena sem qualquer ligação com a cena anterior ou com a lógica comum!

E quando pensamos que não poderíamos ser mais surpreendidos pela genialidade desta trama, eis que é revelado que o estupro de Ana foi mandado pela tia dela! Tã dã dã! Uma revelação extremamente imprevisível, principalmente pelo fato da novela nunca nos ter dito o porque Virgínia quer fazer mal a Ana. Em nenhum capítulo, cena, sequer diálogo é nos explicado seus motivos, assim, não fazemos ideia de que ela colaborou com Mauro porque não fazemos ideia do porque ela fez qualquer coisa nesta narrativa. Fantástico! 

E após vencer diversos obstáculos contra uma vilã que nunca a impediu de nada, para conseguir seus sonhos, que nunca soubemos quais eram, Ana tem seu final feliz. E nós, leitores, novamente somos pegos de surpresa ao descobrirmos que ela era a protagonista quando pensávamos que era a moça que iniciou a história com um dilema. Mais uma sacada inteligente desta autora!

Portanto, depois de tantas demonstrações de genialidade jamais vistas na literatura, só podemos apreciar esta grande obra de arte, afinal, as palavras faltam aqui, restando somente o sarcasmo! 


Lembrando que, eu não consegui identificar o autor desta web, então quem souber, é só me avisar nos comentários que eu coloco, tá bom? Então é isso pessoal, esperam que tenham gostado e até a próxima! Beijoo e bye bye! 

 


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Notas DIGG TV

1. Essa coluna está protegida pela lei nº 9.610/1998, Art. 46 III, que protege a utilização de qualquer obra ou trechos dela, em qualquer mídia ou meio de comunicação para fins de crítica, estudo, ou polêmica.
2.     As opiniões expressas nessa coluna não refletem necessariamente as da DIGGTV. Elas são de total responsabilidade do autor.
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18 de outubro de 2020

ADOROWEB - FORÇA DE UM SONHO: A NOVELA OUTDOOR!

      

Eaííí meus weblovers adorados, como estão? Espero que ótimos! E 2020 aproxima-se de seu final; sim, foi um ano difícil, mas pelo lado bom, pelo menos não sentiremos aquela famosa culpa quando a música de natal perguntar: "e o que você fez?" e felizes poderemos levar nossas promessas de dieta ou do cursinho de inglês pra 2021! Mass, quanto a crítica de hoje não se preocupem, que não teremos que esperar mas nem um segundo! Simbora?

Autor(a): Diego Silva
Ano: 2019

No entanto, devo avisar, n
ão estarei aqui para falar da história que li essa semana. E isso é por um motivo simples: não há história! De fato, em todos os mais de vinte capítulos de "força de um sonho" é impossível encontrar sequer as características de uma história; não há enredo, não há desenvolvimento de personagens, não há pelo o que torcer, sequer esperar, tudo se resume em um conjunto de letras espalhadas na tela que nada dizem, nada provocam.

Começamos com essa família que mora em uma comunidade. Porém, a trama não nos diz nada sobre eles, quais suas motivações, personalidades, o relacionamento entre cada um deles, e eis que o pai morre vitima de um traficante. O mesmo entrega um prazo a eles para pagarem a dívida, caso contrário irão todos morrer. E eu sei o que está pensando, que isso está se parecendo com um enredo, certo? O problema é que este assunto nunca mais volta na novela! Literalmente, a família se muda e a narrativa esquece-se completamente disso!

O que temos então é sucessão de acontecimentos inúteis e cenas aleatórias, uma após a outra, em que os personagens se confrontam de novo e de novo sem sair do lugar e sem conseguir citar o interesse do público que não os conhece nem se importa com nenhum deles. Paula mesmo é esta vilã racista que odeia Janaina. Mas o que ela faz durante a web inteira? Apenas a difama todas as vezes que a encontra e espalha seu modo tóxico de pensar a todos os que a veem. E assim, nunda há um verdadeiro obstáculo, ou impedimento para estas personas, nada! No final, há sim uma tentativa rápida e murcha de algum ato contra Janaina, mas nada que não fosse resolvido tão rápido como começou.

E falando em Janaina, ô protagonista apática! É até mesmo difícil considerá-la a mocinha quando até mesmo um figurante de cena de bar tem mais relevância que ela nesta obra! Ela nada deseja, nada quer, e tudo o que faz é reclamar sobre os seus sofrimentos o tempo todo. E assim são, infelizmente, todos os personagens nesta web que, nunca desenvolvem ou fazem qualquer coisa, apenas recitam, um após o outro o que sentem em relação a seus problemas. E quando realizam algum ato, ele soa completamente fora de propósito.

Porque devo me importar se kátia e a mãe estão roubando o avô, por exemplo, ou se Gael está perdido nas drogas? Eles nunca me foram introduzidos, portanto, como posso torcer para que eles alcancem algo que sequer sei o que é?

Mas se engana quem pensa que isso se trata de um erro crasso do escritor que, não soube formular bem sua trama, e sim, a consequência de um único erro: não ter quisto realizar uma boa história. E alguns podem estar imaginando: ué, por que mais um autor escreveria senão para realizar uma boa obra? Porém, poucos parágrafos bastam para entendermos o verdadeiro intento desta narrativa, na verdade, somente esta linha:

Janaina ( militando ) - O negro esta conseguindo cada vez mais espaço, e não podemos desistir

Os personagens não tinham personalidade, mas sabiam de cor o mesmo discurso ensaiado, não possuiam dificuldades reais, mas recitavam a situação do país e as injustiças sociais sempre que podiam e não criavam conflitos reais entre eles a não ser que tivessem a ver com a mensagem da narrativa, fazendo com que, ao final, tudo girasse em torno dela e que fora dela nada importasse! Não houve enredo, desenvolvimento, clímax, porque esta trama nunca precisou disso, pois tudo o que desejava era um meio de propagar suas ideias político-ideológicas, transformando-se no que chamo de "história outdoor".

Vivemos num mundo globalizado, em que todos podem ter ideias diferentes e compartilhá-las, e isso é ótimo, todos devemos ter um espaço para, de forma respeitosa e consciente, expôr o que pensamos, abrir o diálogo e lutar por nossos ideiais. No entanto, este espaço é tudo, menos a arte. Devemos nos lembrar que a finalidade de uma obra, de uma peça, de um quadro, nunca é o de dizer algo. Podemos transmitir uma mensagem com nossa arte? Sim, podemos. Todavia, ela nunca deve ser a coisa mais importante.

Vamos pensar, o que diferencia um cartaz de "não suje a rua" de uma escultura que protesta contra o lixo jogado? Afinal, os dois estão dizendo a mesma coisa. Exato! Está na forma com que se faz isso, o cartaz apenas emite a palavra, a mensagem fria e direta, enquanto a arte transmite a beleza e a apreciação para depois transmitir o que tem a dizer. A verdade é que a arte pode sim ter o que falar, mas ela deve sempre deixar a opção para o expectador ver muito mais além disso.

O que acontece então quando tudo o que se tem é a própria mensagem? A história vira um mera cartaz, cheio de enunciados, mas vazio de emoções. Como uma rua em época de eleição em que tudo o que podemos ver são os santinhos acumulados, essas histórias se tornam apenas o pano de fundo no qual os escritores propagam suas teorias pessoais. Esquecem-se, porém, que um dia todas essas teorias terão passado, como sempre passam, mas o que é eterno, o que fala com a alma, permanece para sempre.

Ao fim, "Força de um sonho", não tem sonho, nem quem sonhe, sequer seu escritor que, ao invés de criar um mundo aparte cheio de emoções e significado, nos entregou uma estante vazia, um mero cavalete. 

É isso guys! Espero que tenham gostado! Até a próxima, beijoo e bye bye! 

 


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Notas DIGG TV

1. Essa coluna está protegida pela lei nº 9.610/1998, Art. 46 III, que protege a utilização de qualquer obra ou trechos dela, em qualquer mídia ou meio de comunicação para fins de crítica, estudo, ou polêmica.
2.     As opiniões expressas nessa coluna não refletem necessariamente as da DIGGTV. Elas são de total responsabilidade do autor.
3.     Este quadro não tem como intuito rebaixar ou menosprezar qualquer autor ou obra, mas sim, de abrir um diálogo em prol da qualidade literária.
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1 de outubro de 2020

ADOROWEB - INIMIGOS: E O VALE DA INDIFERENÇA

     

Heloo Weblovers, como vocês estão? Bem, imagino que bem melhores do que a cinco meses atrás, não é mesmo? Quem diria que iríamos passar por tudo aquilo! De fato, se não fosse o óleo estar custando 6 reais eu julgaria que tudo não passava de um pesadelo, mas, graças a Deus, a vida pouco a pouco retorna a seu ritmo normal e poderemos voltar a nos preocupar com problemas menores... Como o câncer e a alta taxa de homicídios!

Autor(a): Francisco Siqueira
Ano: 2019

Bom, ao menos não estamos no nordeste do anos 30, época em que a fome ameaçava mais que a espingarda, em que os coronéis dominavam sobre as regiões áridas e para o qual nos leva a história de hoje.

E ela cumpre seu trabalho, utilizando-se de diálogos e costumes bem típicos daquela época e uma ambientação condizente. Ela se repete bastante, com o autor referindo-se constantemente ao calor, ao invés de explorar novas formas de descrever o cenário, e assim, não consegue dar vivavidade aquele universo, mas, ao menos, estebelece o tom proposto.

No entanto, lamento dizer que esta é a única coisa que sai conforme o planejado nesta trama, como em um acidente de carro em que sobram somente as rodas! E eu diria que este carro não somente deslizou na pista, como desviou-se completamente do caminho, derrapou na curva e esbarrou em um caminhão indo direto na direção de um abismo. Um abismo escuro e frio, lugar do qual todos os escritores fogem e tremem só de ouvir: o abismo da indiferença!

Muitos acreditam que o maior desafio de um escritor é criar uma boa história, e de fato, esta é uma dificultosa tarefa, no entanto, se pensarmos bem, uma história em si não serve para nada, ela nada produz, nada modifica. É o leitor o responsável por dar aquelas palavras vida e significado, portanto, ela precisa ser lida. Mas o que faria alguém querer ler uma história? E então, chegamos a conclusão de que o maior desafio de um escritor é fazer com que o leitor se importe.

Começamos com a saída de Josué de sua casa para fazer sua campanha pelo sertão. Até aí não sabemos nada sobre o personagem, e, portanto, não poderíamos nos importarmos menos com ele, e de repente, ele é colocado em perigo pela emboscada de Miguel, um de seus campangas. O mesmo jura querer fazer vingança, cujo o motivo também nada sabemos. Até que a trama volta no tempo, em busca de mostrar a razão para tal ato, ou seja, o que Josué teria feito para Miguel no passado para que ele o atacasse tão ferozmente agora.

O enredo é, então, baseado inteiramente nesta ação do passado que está tendo uma consequência no presente, sendo assim, é essencial que o texto consiga, com a volta ao passado, fazer com que a audiência se importe pelos dois personagens quando voltarem de novo para o presente. No entanto, nada poderia estar mais longe da realidade desta obra!

Isso porque sua narração nunca consegue nos fazer mergulhar nos sentimentos dos personagens, como neste trecho em que ficamos sabendo um pouco do passado de Josué:

Além do semblante imperturbável, trazia consigo a determinação dos tempos do bando de Zé Porcino, quando participava de emboscadas, raspando à faca de ponta as canelas das vitimas ou dando um banho de querosene para em seguida riscar um fósforo na roupa do infeliz a fim de conseguir a chave de um baú ou de um cofre… Fosse o que fosse, havia aprendido com o antigo chefe, e também com a miserável vida, que nada de fora o penetraria, mantendo, dessa forma, o coração arrojado, ao pé da goela.

Para que o público sinta por um personagem é necessário muito mais do apenas informá-lo sobre o mesmo, mas fazer com que o leitor experiencie o mundo através dos sentimentos daquela persona, vendo a realidade pelos olhos dele. É como se ouvíssemos o relato de uma tragédia na neve, por mais que nos esforçássemos, nunca conseguiríamos sentir os mesmos que aquelas vítimas, a não ser que nos colocássemos na mesma situação, bem, da mesma forma opera a narrativa. É preciso inserir o leitor no lugar da persona, o fazendo sentir-se como ele.

No entanto, a narração resume os sentimentos de Josué de forma rápida e seca, não nos dando a chance de nos inserirmos na pele dele, saber o que ele sente e como percebe o que está a sua volta. Mas pior é o que acontece com Miguel que, sequer tem essa chance: a única coisa que sabemos dele é que ele viu o pai morrer a sua frente pelas mãos de Josué, antes disso, nada e toda a sua construção após, a maneira com alimentou seu ódio, como viveu desde então, é completamente ignorada. E você deve estar imaginando o resultado disso, não é? Sim, caro leitor, quando voltamos ao presente não há nada, nenhum sentimento de empatia ou interesse por qualquer um desses personagens.

Somente aqui teríamos já a resposta para o fracasso de uma narrativa que se baseou na tragédia de duas pessoas mas não conseguiu fazer com que o público se importasse com elas. Mas também temos o problema da tragédia em si. Ela deveria ser o grande ato central, pelo qual o enredo gira em torno e igualmente todos os seus personagens. Mas acontece que ela nunca é representada dessa forma, na verdade, nesta história ela passa mais despercebida que silicone no carnaval! Josué mesmo passa a vida inteira sem sequer lembrar do que fizera, e como poderia? Aquela não era a primeira vez que matava e ele encarou a ação de maneira até banal. Ela não representa sequer algo essencial em sua vida, pois nada muda por causa dela. Josué não enriquece pela recompensa, mas sim por ter casado com uma comerciante.

O grande tema, portanto, é apenas importante para Miguel, individuo que quase nunca aparece na narrativa, e assim, o enredo se perde, não possuindo direção ou centralidade. Tudo o que vemos são vários personagens expondo como se sentem sobre seus próprios dilemas, mas sem chegar a lugar algum. Me digam, do que importa sabermos que João ama a filha de Josué, se a trama não se centrou em seu drama em se apaixonar pela filha do homem que matou seu pai, mas o deixou completamente solto, sem resolução ou desenvolvimento?

E essa é uma grande questão nesta série: os dramas apresentados poderiam ser extremamente emocionantes, mas nunca são aproveitados. Como não seria se, ao invés de apresentar os pontos de vistas de tantos personagens, ela focasse em apresentar a vida dos dois protagonistas, simultaneamente, mostrando como Josué crescera em cima do ato criminoso, como aprendera a ver o mundo e a se proteger, mas sempre lembrando-se de seu ato, levando o leitor a uni-lo ao outro personagem, Miguel, que do outro lado, alimenta seu ódio, tendo que viver ao lado do assassino do pai, expondo ao leitor seus sentimentos e seus conflitos, e criando o climax até a realização da vingança?

Já essa narrativa não poderia soar menos fora de propósito! Eu devo destacar sim a segurança do autor, ele apresenta uma condução segura e os diálogos soam bastante críveis na maioria das vezes. Aliás, os trechos, como a descrição de Fabiano e a raiva de Josué ao ver o pai abusando de sua irmã, foram bastante eficientes e podemos ver a tentativa em dar a todos os personagens suas próprias cores e complexidades, embora nenhum tenha conseguido ser verdadeiro no coração do leitor. 

Isso porque, suas complexidades nunca mostraram-se características de uma pessoa inteira, real, mas um conjunto formado de informações, como se o autor se sentisse na obrigação de inserir personalidades complicadas em seus individuos. Exemplo disso é o padre manuel, descrito como um sacerdóte controlador e arrogante, quando nenhuma de suas ações ou comportamentos consegue manter essa informação, o mostrando, ao contrário, como alguém caridoso e humilde. Não é difícil de perceber então que essas características penas lhe foram postas para gerar um efeito forçado de complexidade.

Todavia, para que o leitor acredite em um personagem ele não precisa ser complicado ou cheio de nuances, alguém pode ser bastente simples e ainda ser entendido e amado, o que ele precisa acima de tudo é ser conhecido.

Amamos aquele de quem somos íntimos, essa é uma verdade eterna e que deve ser aprendida pelo escritor se quiser criar histórias que permaneçam na mente do leitor, a de criar um mundo que abrace-o, que o faça sentir parte dele e tão conhecedor de seus individuos que os confunda consigo mesmo, transformando-se eles próprios nos personagens de nossas histórias.

Mas ler "Inimigos", fez-nos sentir como Miguel, assistindo com um rosto impassível a morte do próprio pai.  

É isso guys! Espero que tenham gostado! Desejo a vocês toda a paz do mundo e que seus sonhos se realizem! Agradeço as sugestões que me ajudam a conhecer tantas tramas interessantes, sem vocês eu nada seria, thank you! Beijoo e bye bye! 

 


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Notas DIGG TV

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3.     Este quadro não tem como intuito rebaixar ou menosprezar qualquer autor ou obra, mas sim, de abrir um diálogo em prol da qualidade literária.
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