2017, Centro-oeste do Brasil
CENA 1: Sonhador, Hospital, Quarto, Interior, Tarde
Os olhos de Laura estão cheios de lágrimas, ela pensa na terrível confissão que ouviu da mãe mesmo sem querer e seus pensamentos voam longe, principalmente na hora em que ela chegava a acreditar nas cartas supostamente deixadas por Frederico.
LAURA: – Você nunca quis ir embora, nunca quis me deixar. – Diz enquanto Frederico se aproxima. Mateus olha para ambos, confuso. – Eu fui uma idiota em pensar que você me abandonaria.
Frederico percebe rapidamente do que Laura está falando, então lhe segura a mão.
FREDERICO: – Eu nunca deixaria você, mas não tive escolha depois de estar longe de você. – Afirma passando verdade apenas pelo olhar que ambos trocam. – Depois que você sair daqui, eu vou lhe contar tudo o que aconteceu, Laura.
LAURA: – Obrigado, Frederico. – Ela agradece esboçando um leve sorriso entre o choro.
CENA 2: Sonhador
O dia chega no seu fim. Pessoas seguem para a praça da cidade de Sonhador, algumas conversam, outras brincam com os filhos. Na zona rural, ouve o canto dos grilos, logo já é de madrugada. O dia volta amanhecer, logo volta a escurecer.
DIAS DEPOIS
CENA 3: Sonhador, Casa de Paco, Sala, Interior, Manhã
Paco e Patrícia conversam enquanto estão sentados no sofá, uma chuva fina cai.
PACO: – Eu não poderia sequer imaginar que era sua amiga Laura quem está casada com o Olavo.
PATRÍCIA: – Devo lhe confessar uma coisa, meu amigo, mas só vou dizer isso, pois sei o quanto esse coração está apertado. Você ainda gosta dele, então não quero vê-lo sofrer de maneira alguma… o casamento da Laura e do Olavo não existe, é apenas de fachada.
Paco fica surpreso com tal revelação, mas diferente do que Patrícia pensou, ele fica cabisbaixo.
PATRÍCIA: – Achei que essa notícia iria animar você.
Paco se levanta e segue para perto da janela.
PACO: – Em outros tempos sim, mas eu já sei que o Olavo nunca será capaz de vir atrás de mim, e nem eu de ir atrás dele.
PATRÍCIA: – Talvez tudo tenha mudado ou talvez não, isso só o tempo vai dizer. – Diz enquanto se levanta e segue para perto de Paco, os dois se abraçam.
CENA 4: Fazenda Brilhante, Varanda, Exterior, Manhã
Depois que saíram do hospital, Olavo e Laura resolveram morar na Fazenda Brilhante, longe de Perpétua e Samira. Laura olha a chuva cair tal como seu pai fazia, Olavo se aproxima dela e se senta em uma cadeira ao seu lado.
OLAVO: – Você ainda está pensando em um jeito de provar que foi sua mãe a responsável pela morte de seu pai?
LAURA: – Sim, mas não encontro nenhum jeito, tudo o que eu penso é vago demais. Como eu fui ser tão idiota? A Patrícia quando vinha me visitar sempre dizia que minha mãe parecia uma bruxa, ela falava sério, mas eu levava na brincadeira.
OLAVO: – Ninguém conhece as pessoas de verdade, Laura e você não foi idiota, pois sua mãe sempre fez as coisas sem ninguém desconfiar.
LAURA: – Ela destruiu minha vida praticamente, ela me impediu de amar quem eu sempre amei, tirou de mim o meu pai, meu amigo, meu protetor, eu só queria saber o motivo dela ter feito tudo isso que fez. – Diz com muita raiva. – Da minha prima eu sempre esperei tudo, mas até isso foi demais e ela parece não ter desistido.
OLAVO: – Você também não desistiu, Laura. O Frederico virá hoje aqui e essa é a oportunidade para que vocês se acertem e recomecem de onde pararam.
LAURA: – Não só somente eu que não tem de desistir, Olavo. Sei que você ainda tem medo, mas está na hora de perder esse medo e ir atrás de sua felicidade de verdade.
Os dois sorriem, entendem o que cada um deve fazer.
CENA 5: Sonhador, Casa de Frederico, Sala, Interior, Manhã
Rubens olha para o álbum enquanto Frederico se aproxima dele, os dois se olham. Rubens se levanta do sofá e deixa o álbum de fotografia.
RUBENS: – Me deseje sorte, Frederico. Hoje vou ficar de frente com minha filha.
FREDERICO: – Eu desejo toda sorte do mundo, senhor Rubens, mas tem certeza que não quer que eu vá com o senhor?
RUBENS: – Em outra oportunidade, Frederico. Você também tem que resolver sua vida.
FREDERICO: – Eu fico preocupado que o senhor vá sozinho enfrentar a Perpétua, ela é capaz de tudo.
RUBENS: – Eu já tive medo dela, mas agora já não tenho mais e estou devidamente preparado.
Frederico abraça Rubens, que nesse tempo foi um grande pai para ele.
FREDERICO: – Eu agradeço muito a Deus todos os dias por ter cruzado o meu caminho com o do senhor… qualquer coisa é só me telefonar, senhor Rubens.
CENA 6: Fazenda Brilhante, Casa, Sala, Interior, Manhã
Laura está com algumas fotos de Frederico nas mãos quando ouve a campainha tocar, ela larga as fotos no sofá e segue para atender a porta. Laura não contêm a saudade assim que abre a porta e abraça Patrícia.
LAURA: – Que bom que você veio, minha amiga… ai, como eu deveria ter lhe escutado, como eu deveria.
Patrícia fica sem entender de início.
PATRÍCIA: – Do que você está falando, Laura?
LAURA: – De muitas coisas, minha amiga, de muitas coisas.
CENA 7: Fazenda Serrado, Exterior, Manhã
Perpétua anda de um lado para o outro na varanda. Samira está sentada em uma cadeira acolchoada, é ela quem vê um carro preto de luxo entrar na Fazenda.
SAMIRA: – Quem será que vem lá, Tia?
Perpétua para e olha para a porteira.
PERPÉTUA: – Na certa é o seu pretendente que descobriu que você já está aqui.
SAMIRA: – O Frederico nem imagina que estou aqui, Tia. Ele acha que estou na capital ainda espera.
PERPÉTUA: – Era pra você já estar casada de papel passado com ele, mas você é mais lerda do que lesma.
O carro preto para próximo da varanda, a porta se abre, permitindo que Rubens saia do veículo. Perpétua olha com surpresa e receio, seus olhar agora é indecifrável.
CONTINUA



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