Ano de 2005, Centro-oeste do Brasil
CENA 1: Fazenda Serrado, Exterior, Noite
Laura caminha ao lado de Frederico depois de anunciarem o namoro, os dois se beijam durante pequenos intervalos, a lua bem clara ilumina seus passos.
FREDERICO: – Estou muito feliz agora, sem medo, sem aquela angústia que apertava o meu peito.
LAURA: – Eu pensava que a coragem nunca me pegaria.
FREDERICO (Sorrindo): – Ainda bem que ela nos pegou. Eu não poderia ficar calado com esse enorme sentimento dentro de mim. – Ele pára e segue a mão de sua amada, puxando um pouco para perto, os corpos muito próximo um do outro transpirando desejos. – Prometo fazer você a mulher mais feliz dessa região… dessa região não, do mundo inteiro.
LAURA: – Mais feliz do que já estou ao seu lado acho que não tem jeito. – Ela comenta em tão de brincadeira antes de beijá-lo.
Eles se afastam quando ouvem um uivo semelhante a de um lobo, olham em volta, e se arrepiam um pouco.
LAURA: – Por mais que eu não acredite nessas lendas, acho melhor entrarmos.
FREDERICO: – Sei, não acredita? – Diz passando o dedo indicador na ponta do nariz de Laura. – Você deveria acreditar, todos aqui acreditam de uma forma ou de outra.
LAURA: – Eu respeito, mas não acredito, Frederico. Mas acho isso tudo fascinante demais. – Ela sorri e puxa Frederico pela mão.
Frederico e Laura voltam para a sede da Fazenda enquanto mais um uivo é ouvido.
CENA 2: Fazenda Serrado, Casa, Quarto de Horácio e Perpétua, Interior, Noite
Perpétua está sentada em uma poltrona olhando uma revista, ela levanta o olhar por um pequeno instante e observa Horácio entrar no quarto com um roupão, logo ela volta a olhar para a revista.
HORÁCIO: – Poderia disfarçar um pouco que você não gosta do Frederico, Perpétua.
PERPÉTUA: – Não é que eu não goste, meu amor. Só acho muito precipitado tudo isso… nossa filha merece coisa melhor, acredite!
HORÁCIO: – Tenho certeza que o Frederico é o melhor para ela, e ela também acredita nisso, outra coisa Perpétua… o que realmente importa é a vontade de nossa filha, e não nossa. Você vai se acostumar com ele Perpétua, você vai ver.
Perpétua deixa a revista de lado e sai do quarto. Horácio fica olhando para a porta que se fecha.
HORÁCIO: – O que eu faço com essa mulher? – Se pergunta enquanto começa a se lembrar do início de seu casamento com Perpétua.
CENA 3: Fazenda Serrado, Casa, Cozinha, Interior, Tarde
Samira relembra quando bateu seus olhos em Frederico, e sorri mais uma vez de maneira maliciosa, está com um copo na mão cheio de água quando Perpétua entra de surpresa. Samira solta o copo que se quebra, ela olha para a tia, assustada.
PERPÉTUA: – Meu Deus, Samira, parece que viu um fantasma.
SAMIRA: – Desculpa, Tia… Eu estava um pouco fora de órbita, já vou juntar tudo.
PERPÉTUA: – Com certeza era por homem, conheço muito bem esse olhar perdido, vê se não vai se apaixonar como minha filha.
Samira abaixa a cabeça enquanto Perpétua segue até a geladeira e pega uma garrafa de água. Samira começa a catar os cacos de vidro.
CENA 4: Fazenda Brilhante, Casa, Quarto, Interior, Noite
Olavo olha pela janela, se arrepia de forma constante depois dos vários uivos que ouve. Seu semblante é de extrema preocupação.
OLAVO: – Onde estará? Prometeu que vinha, mas não aparece.
Olavo sai da janela e segue para perto do telefone que fica ao lado da cama, ele pensa em fazer uma ligação, mas acha melhor não, e volta para perto da janela. Ele observa um farol de um veículo próximo da porteira.
OLAVO: – Veio, eu sabia que iria vir. Eu sabia que não iria me decepcionar.
Olavo sai do quarto rapidamente.
CENA 5: Fazenda Serrado, Casa, Cozinha, Interior, Manhã
Ainda é de manhãzinha, Frederico entra na cozinha e se depara com Samira terminando de coar o café, é a primeira vez que ele a vê, os dois se olham normalmente.
SAMIRA: – Só nós para acordarmos nesse horário.
FREDERICO: – Você é a prima da Laura, não é?
SAMIRA: – Sou eu mesma, Samira, e você é o namorado dela, Frederico.
FREDERICO: – Eu nunca a vi por aqui, Samira.
SAMIRA: – Não fico muito aqui na casa grande, gosto de andar livremente por aí. – Diz, sorrindo.
FREDERICO: – Isso pode ser um pouco perigoso, afinal há muitos animais por aí.
SAMIRA: – Acredite, Frederico, não sou frágil. Sei me defender muito bem.
FREDERICO: – Bom saber disso, mas de todo jeito, é melhor tomar cuidado.
Frederico se serve com um pouco de café e sai da cozinha indo em direção a varanda dos fundos. Samira o observa de forma muito mais atenta.
SAMIRA (Sorrindo): – Ele se preocupou comigo!
Nesse momento, Laura entra na cozinha.
LAURA: – Quem se preocupou com você, prima?
Samira se vira, e tenta disfarcar o susto.
SAMIRA: – Ninguém, Laura. Eu só estava sonhando acordada.
LAURA: – Sei… onde está o Frederico? Ele passou por aqui?
SAMIRA: – Ele foi pra fora, prima.
Laura olha bem para a prima antes de sair da cozinha. Assim que Laura sai, Samira olha com raiva para a porta da cozinha que se fecha.
CENA 6: Fazenda Brilhante, Sala, Interior, Manhã
Olavo está com dois papéis na mão, são cartas de sua pessoa amada, ele olha de forma incrédula para as letras que parecem flechas.
OLAVO: – Não posso acreditar que você fez isso comigo, não posso. Você jogou tudo para o alto por um medo bobo, medo de ser feliz, eu não vou perdoar você, não vou, idiota!
Olavo rasga as cartas e chora copiosamente sobre os pedaços dela.
CENA 7: Fazenda Serrado, Exterior, Varanda, Tarde
Uma chuva forte começa a cair depois do almoço. Laura e Frederico estão na varanda observando toda a beleza da natureza, eles se beijam enquanto a chuva não cessa, estão completamente envolvidos.
FREDERICO: – Você já é a pessoa mais importante para mim, Laura. – Diz antes de lhe dar mais um beijo. – Eu quero sempre te ver com esse sorriso no rosto, com essa sua felicidade e esperança que me conquistaram.
CENA 8: Fazenda Serrado, Sala/Quarto, Interior, Tarde
Perpétua olha com enorme repúdio tal cena, seus olhos estão cheios de raiva, ela caminha até próximo do telefone.
PERPÉTUA: – Já tive que aturar muito isso, chega! – Diz colocando a mão no telefone, mas recua. – Melhor ligar do telefone do quarto.
Perpétua segue para a escada e começa a subir, ela verifica se não há ninguém e volta a subir. Perpétua abre a porta de seu quarto e Horácio, ela entra com certa pressa e vai direto ao telefone.
PERPÉTUA (Ao Telefone): – Olavo?
OLAVO (Do outro lado da linha): – É ele, quem fala?
PERPÉTUA (Ao Telefone): – Uma grande amiga do seu pai.
Do outro lado da linha, Olavo se lembra da amante de seu falecido pai e sente raiva.
OLAVO (Do outro lado da linha): – O que você quer sua assassina?
PERPÉTUA (Ao Telefone): – Modere o tom para falar comigo, Olavo, meu querido, e pelo que eu sei, foi você quem matou seu pai de desgosto e não eu. E sendo mais direta, quero dizer que ainda não contei para ninguém o que sei sobre você, o seu segredinho. A única coisa que quero é conversar com você de maneira civilizada. – Ela sorri de maneira diabólica.
CONTINUA



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