16º CAPÍTULO
2017, Centro-oeste do Brasil
CENA 1: Fazenda Brilhante, Casa, Sala, Interior, Noite
Olavo continua a olhar para Frederico como se o conhecesse de algum lugar, ele força a memória e entende que não o conhece, mas conviveu por muito tempo com alguém muito parecido. Laura espera uma resposta para o seu questionamento.
OLAVO: – Eu já volto! – Diz enquanto volta a subir pela escada.
LAURA: – Tudo bem, eu acho. – Ela volta seu olhar para Frederico, que por sua vez não entende bullhufas do que acontece.
FREDERICO: – O que houve aqui? – Questiona arqueando levemente uma de suas sobrancelhas.
LAURA: – Também estou um tanto surpresa, Frederico.
Não demora muito e logo Olavo retorna com um porta retrato em suas mãos, ele pára de frente para Frederico, que o encara tentando entender o que deve significar tudo aquilo.
Não demora muito e logo Olavo retorna com um porta retrato em suas mãos, ele pára de frente para Frederico, que o encara tentando entender o que deve significar tudo aquilo.
OLAVO: – No momento em que lhe vi, Não sabia direito explicar de onde lhe conhecia, mas constatei que não lhe conhecia realmente, mas sim era lembranças de uma pessoa muito próxima a mim. – Diz ao estender o porta retrato para que Frederico pegue. – Esse da foto é meu pai, Frederico.
Frederico olha para a foto que está em suas mãos, até mesmo se assusta com tamanha semelhança. O homem da foto, pai de Olavo parece ser Frederico um pouco mais velho.
FREDERICO: – Eu me pareço com ele. – Ele levanta o olhar rapidamente, Laura o olha sem entender. – Como é possível algo assim? – Questiona enquanto volta a olhar para a foto, confuso.
Olavo caminha até Frederico e olha como se tivesse algo para contar.
Olavo caminha até Frederico e olha como se tivesse algo para contar.
OLAVO: – Meu pai nunca contou essa história para ninguém, nem eu mesmo sabia até um pouco depois da morte dele. Ele guardava em um fundo falso de uma das gavetas do roupeiro, um caderno com várias anotações, anotações essas que eram parecidos com desabafos, e em um desses desabafos, ele contou que minha ele tivera um filho fora do casamento, e com medo do que pudesse acontecer caso minha mãe descobrisse, rejeitou a criança. – Ele conta visivelmente emocionado. – O meu pai não era uma boa pessoa e fez de tudo para que sua mãe se mantivesse longe dele. – conclui.
Frederico olha para Olavo com algumas lágrimas nos olhos, ele as seca, olha para Laura, dá meia volta e sai da casa com a foto do verdadeiro pai nas mãos. Laura olha para Olavo.
OLAVO: – Desculpa, Laura, essa história já remoia muito dentro de mim, e quando o vi, também soube que era ele. O Frederico é igual ao meu pai quando mais jovem.
LAURA: – Você fez o que achou certo, Olavo, não há como recriminar isso. Eu vou tentar falar com ele. – Diz tentando tranquilizar Olavo.
CENA 2: Sonhador, Casa de Perpétua, Interior, Noite
Samira entra e olha para todos os lados da sala da casa na qual Perpétua foi parar, ela esboça um leve sorriso.
SAMIRA: – Que lugarzinho hein, tia! A senhora está mesmo no fundo do poço.
PERPÉTUA: – Cala a boca e diga logo o que você tem em mente pra que eu possa sair dessa situação degradante.
SAMIRA: – Dizem que a cadeia é muito pior, tia. A senhora não ficou nem um dia sequer aqui ainda para poder reclamar.
PERPÉTUA: – Um dia é o máximo de tempo que eu quero passar nesse lugar, sua tola. Vamo, diz logo o seu plano, pois eu não consegui pensar em muita coisa boa.
SAMIRA: – Tenho certeza que a senhora vai adorar o que vou dizer, o meu plano é algo infalível.
Perpétua e Samira sorriem, a maldade está presente em cada palavra que começa a ser pronunciada.
CENA 3: Fazenda Brilhante, Exterior, Noite
Olavo, se sentindo culpado por ter contado tudo logo na primeira vez que viu Frederico, se aproxima dele, que está parado olhando para a lua. Laura está encostada em uma pilastra da varanda observando tudo.
OLAVO: – Eu poderia ter esperado mais para contar, mas já estava com isso, de certa forma, atravessado na garganta, e quando o vi, tive certeza que era você.
FREDERICO: – Mas e se essa criança não for eu? – Questiona alternando seu olhar ora para o porta retrato, ora para Olavo.
OLAVO: – Não sei como, mas eu tenho certeza de que é você. Se quiser, amanhã mesmo poderemos fazer o exame pra não restar nenhuma dúvida.
FREDERICO: – Então amanhã faremos isso, Olavo. E me desculpe pela reação lá dentro, é por eu não estar esperando algo desse tipo, fui realmente pego de surpresa com tudo isso.
Mateus aparece na porta e fica ao lado da mãe, que passa a mão em seus cabelos.
Mateus aparece na porta e fica ao lado da mãe, que passa a mão em seus cabelos.
MATEUS: – Eles estão brigando, mãe?
LAURA: – Não, Mateus. Eles estão apenas conversando.
MATEUS: – A gente ainda vai lá pra Serrado?
LAURA: – Acredito que sim.
Sob o olhar de Mateus e Laura, Frederico e Olavo dão um caloroso abraço.
CENA 4: Sonhador, Casa de Perpétua, Sala, Interior, Noite
Samira olha para a tia com certa apreensão após ter contado sobre o plano que tem em mente. Perpétua, que no meio da conversa se sentou na velha cadeira de madeira, agora se levanta, seu olhar é algo indecifrável.
PERPÉTUA: – Se isso não der certo, poderemos as duas pegar longos anos em uma penitenciária.
SAMIRA: – Mas vai dar certo e a gente vai conseguir dar a volta por cima. Vamos lá, a senhora já fez coisas muito pior e ninguém da justiça descobriu.
PERPÉTUA: – Eu não disse que não aceitaria, Samira. Quando começamos? – Questiona com um sorriso diabólico.
CENA 5: Sonhador, Casa de Paco, Quarto/Corredor, Interior, Noite
Paco olha para a grande lua que se faz presente no céu, ele está parado próximo da janela, os braços começam a coçar de forma perturbadora.
PACO: – Será que ele vai demorar para vir? – Ele se pergunta enquanto se afasta da janela.
A calmaria que apazigua o local tem fim. Paco, impaciente e movido por algo muito maior do que ele, começa a jogar todas as coisas no chão, com muita força, arremessa poltrona contra a parede, assim como uma pequena mesa. Patrícia ouve o barulho e se aproxima da porta do quarto de Paco.
PATRÍCIA (Do outro lado da porta): – O que está acontecendo aí, Paco?
Patrícia não obtêm nenhuma resposta, mas continua a ouvir coisas sendo quebradas. De repente ela se afasta da porta ao ouvir um som parecido com rosnado de cão. Passos são ouvidos no corredor, ela olha e vê Olavo.
OLAVO: – O que houve, Patrícia?
PATRÍCIA: – Eu também não sei, Olavo. De repente comecei a ouvir coisas quebrando e vim ver o que era, mas ele não responde e nem abre a porta.
OLAVO: – Aconteceu de novo! – Diz extremamente preocupado.
CENA 6: Fazenda Serrado, Casa, Varanda, Exterior, Noite
O carro de Frederico estaciona próximo da varanda. Mateus sai primeiro do veículo, logo Laura e Frederico também saem. Laura observa um outro carro parado um pouco mais distante, ela olha para seu Amado e tenta entender o que se passa.
LAURA: – Quem está aqui, Frederico? – Questiona, apreensiva.
FREDERICO: – Uma pessoa que você nunca sequer conheceu, que sua mãe fez questão de esconder de você, meu amor. – Responde ao se aproximar dela e de Mateus. Rubens vem da parte de trás da casa, usa uma bengala para lhe dar mais firmeza. – Ele é seu avô, Laura. O homem que me ajudou durante todo esse tempo. – Frederico revela.
CONTINUA
17º CAPÍTULO
2017, Centro-oeste do Brasil
CENA 1: Fazenda Brilhante, Casa, Exterior, Manhã
Laura olha para o homem já de idade parado na sua frente apoiado em uma bengala. Laura dá alguns passos lentos na direção de Rubens, que por sua vez tem os olhos marejados diante da neta que nunca teve a oportunidade de conhecer.
LAURA: – Meu avô? Você é meu avô. – Diz, emocionada. – Sempre que eu perguntava para a minha mãe sobre os pais delas, ela dizia que eles estavam mortos. – Conta enquanto em sua mente vem os momentos em que ela perguntava. – Eu não sei o que dizer.
Rubens deixa a bengala de lado e abre os braços, ele olha diretamente para Laura, que dá mais alguns passos, porém mais largos e o abraça. Os dois, emocionados, deixam que as lágrimas levem toda a mágoa, toda a mentira que pudesse existir.
RUBENS: – Eu nunca imaginei ter tempo ainda para abraçar minha neta, você. Há tantas coisas para serem ditas, Laura, há muito para ser esclarecido.
Frederico e Mateus, pai e filho, observam a cena, emocionados também. Mateus segura a mão do Pai, assim como ele segura a mão do filho.
CENA 2: Sonhador, Casa de Paco, Corredor/Quarto, Interior, Noite
Olavo olha para a porta e depois para Patrícia. Ele força a maçaneta, mas não consegue abrir, o silêncio dentro do quarto lhe causa um certo medo.
OLAVO: – Você não tem alguma chave reserva, Patrícia?
PATRÍCIA: – Devo ter em meu quarto… vou ver se encontro.
OLAVO: – Vai, eu vou tentar ver o que está acontecendo.
Patrícia segue pelo corredor que leva até seu quarto, depois que o corredor fica vazio, ele chuta a porta e consegue abrir. O quarto está todo escuro, ele consegue perceber pela penumbra que muitas coisas estão quebradas.
Patrícia segue pelo corredor que leva até seu quarto, depois que o corredor fica vazio, ele chuta a porta e consegue abrir. O quarto está todo escuro, ele consegue perceber pela penumbra que muitas coisas estão quebradas.
OLAVO: – Onde você está? – Pergunta enquanto tenta caminhar pelo quarto.
Olavo olha para o canto próximo da janela, ele ouve um soluço e segue para lá. Olavo se abaixa e sente o corpo de Paco, que por sua vez está encolhido.
PACO: – Aconteceu de novo, Olavo. Aconteceu o que eu não queria que acontecesse.
Olavo abraça Paco, que encosta a cabeça no peito dele.
OLAVO: – Eu não vou mais sair do seu lado, nem que isso não dê certo, mas vou estar com você, vou estar aqui. – Diz enquanto afaga os cabelos de Paco e beija sua testa.
CENA 3: Fazenda Serrado, Casa, Cozinha, Interior, Manhã
Laura está sentada a mesa na companhia de Frederico, que sorri para ela. Laura leva uma xícara com café a boca, ela sorve o líquido, logo abaixa a xícara e sorri.
LAURA: – Ontem foi uma noite e tanto, não? Confesso que ainda estou um pouco surpresa.
FREDERICO: – Acredito que todos nós estamos, meu amor.
LAURA: – Onde está o Mateus? – Questiona ao não notar a presença do filho.
FREDERICO: – Está se aprontando para a escola, Laura. Já deve estar descendo.
Quando Frederico termina de falar, Mateus aparece na cozinha já com o uniforme da escola, ele se junta aos pais.
MATEUS: – Eu não quero que isso aqui acabe, mãe… pai. – Revela ao se sentar.
LAURA: – Nada disso vai acabar, filho. Você, eu e seu pai estaremos sempre juntos. – Afirma ao tocar na mão dele.
FREDERICO: – Essa família, nossa família vai ser muito feliz, meu filho. – Diz antes de tocar a mão de Laura, que toca a mão de Mateus.
Os três sorriem e voltam a comer enquanto conversam sobre outros assuntos, sorriem constantemente, a felicidade é algo que brilha intensamente no local.
CENA 4: Sonhador, Casa de Perpétua, Exterior, Manhã
Perpétua olha para o relógio de pulso, logo olha também para a rua e avista um carro preto se aproximando.
PERPÉTUA (Pensando): – Já não era sem tempo.
Assim que o veículo para, Samira sai do carro. Perpétua a olha intrigada.
PERPÉTUA: – Para uma pé rapado, você até que está melhor do que eu.
Samira olha para o carro e depois para a tia, que por sua vez se mantêm séria.
SAMIRA: – Apenas alugado, tia. Vamos precisar dele para a execução de nosso plano.
PERPÉTUA: – Muito bom, Samira. Você está me saindo melhor do que a encomenda. – Afirma enquanto segue para o carro.
Samira nota que a tia anda um pouco dura e sorri discretamente ao ver que deve ser por causa da cama onde ela dormiu. Já no carro, Perpétua olha para a casa e sorri.
PERPÉTUA: – Não volto mais para esse lugar nem amarrada. A partir de hoje nossa sorte irá mudar da água para o vinho, minha querida e não podemos deixar que nada dê errado.
SAMIRA: – Vai dar tudo certo, tia e logo estaremos podres de rica.
Samira pisa fundo no acelerador enquanto ri de maneira diabólica.
CENA 5: Sonhador, Escola/Carro, Exterior/Interior, Manhã
Frederico sai do carro, assim como Mateus que para ao seu lado. Ele abraça o filho com muito carinho.
FREDERICO: – Eu vou recuperar meu tempo perdido, filho.
MATEUS: – Nós vamos, pai. – Concorda, sorridente.
FREDERICO: – Agora vai para seus estudos que logo mais na hora do almoço eu venho buscar você. – Ele mexe no cabelo do filho.
Mateus entra na escola sob o olhar atento do pai, que por sua vez só vai embora ao ver que o filho já está dentro da escola. Frederico entra no carro e sai. Um pouco distante do portão da escola, o carro que Samira alugou está parado, ela e Perpétua estão dentro de onde observam tudo.
SAMIRA: – Será muito fácil. – Ela afirma com grande certeza enquanto vê o carro de Frederico ir embora.



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