20º CAPÍTULO
2017, Centro-oeste do Brasil
CENA 1: Sítio Dois Caminhos, Exterior, Tarde
Frederico sai de seu carro, se esconde para que nenhuma das duas notem sua presença. Enquanto Samira e Perpétua seguem com Mateus para dentro, ele se aproxima da casa e começa a espreitar pela janela.
FREDERICO: – Com certeza vão pedir dinheiro pela libertação do meu filho, não posso deixar isso acontecer, não posso. – Ele olha pela janela e vê Perpétua colocando Mateus no sofá. Samira segue para perto do telefone.
CENA 2: Fazenda Brilhante, Casa, Varanda, Exterior, Tarde
Patrícia continua a tentar acalmar sua amiga, que está desesperada por notícias de seu filho e Frederico.
PATRÍCIA: – Laura, vem vindo um carro. – Patrícia alerta ao olhar para a porteira. Laura levanta o olhar e percebe ser o carro de seu avô.
O veículo para próximo da varanda e Rubens sai, assim como Damião, que fica encostado no carro enquanto Rubens vai para a varanda.
RUBENS: – Eu só fiquei sabendo há pouco, minha neta. – Diz enquanto se aproxima e a abraça. Logo se afastam, Laura chora, inconsolável.
LAURA: – Eu não tenho ideia de quem possa ter feito isso, não tenho.
RUBENS: – Mas eu tenho. Só existe uma pessoa que pode estar no meio disso, a sua mãe, Laura.
LAURA: – Não! Será que ela seria capaz de fazer isso comigo?
PATRÍCIA: – Sua mãe é capaz disso tudo e muito mais, Laura.
LAURA: – Meu Deus! – Ela coloca a mão na boca. – Mas se for ela mesmo, não vou deixar isso barato… ela mexeu com o meu filho, com uma criança. – Diz enquanto começa a enxugar as lágrimas. – Eu não sei do que sou capaz de fazer.
CENA 3: Sonhador, Casa de Paco, Sala, Interior, Tarde
Olavo analisa alguns documentos no notebook enquanto Paco vem pelo corredor, seus olhos estão atentos a mensagem que recebeu de Patrícia. Paco para ao lado de Olavo.
PACO: – A Patrícia acabou de me mandar uma mensagem e parece que o Mateus foi sequestrado, Olavo.
Olavo deixa o notebook no exato momento em que Paco termina de falar.
OLAVO: – Só pode ter sido a Perpétua. Vamos até lá, Paco, talvez possamos ajudar em alguma coisa.
PACO: – Vamos, então.
CENA 4: Fazenda Serrado, Casa, Varanda, Exterior, Tarde
Laura olha para o céu que começa a dar sinal do seu se pôr, sua angústia aumenta muito sem notícias de seu grande amor e do amado filho. O celular de Laura toca deixando seu coração acelerado. Ela pega o celular e olha, verifica ser um número desconhecido.
LAURA (Ao Celular/Apreensiva): – Alô!
PERPÉTUA (Do Outro Lado da Linha): – Minha querida filha. Tenho uma surpresa pra você…
LAURA (Ao Celular): – Deixa eu adivinhar… a senhora sequestrou o meu filho, não foi?
PERPÉTUA (Do Outro Lado da Linha): – Era pra ser surpresa, minha querida. Então você já sabe o que fazer para vê-lo de novo. Não quero demora, ouviu? Se houver demora ele vai acabar como seu pai.
LAURA (Ao Celular): – Velha demoníaca! Eu nem acredito que sou sua filha. Se a senhora tocar em um fio de cabelo se quer do meu filho, eu juro que não haverá mais respirar para a senhora. – Grita antes de encerrar a ligação.
Assim que Laura encerra a ligação, ela recebe uma mensagem de Frederico dizendo onde está e pedindo pra que ela chame a Polícia. Laura sai em direção da camionete enquanto os outros a observam.
LAURA: – Chamem a Polícia. Ela está no sítio Dois Caminhos.
PATRÍCIA: – Onde você vai Laura? – Questiona, preocupada.
LAURA: – Eu vou defender o meu filho e ninguém vai me impedir, ninguém.
Laura entra na camionete e acelera rapidamente. Enquanto a camionete sai da Fazenda, Patrícia avisa a polícia de tudo o que está acontecendo.
CENA 5: Sítio Dois Caminhos, Casa, Sala, Interior, Noite
Frederico continua na espreita. Perpétua arremessa o telefone longe deixando Mateus e Samira assustados.
PERPÉTUA: – Não conseguimos nada, nada. A Laura não vai dar dinheiro nenhum pra gente em troca dessa porcaria de gente. – Diz enquanto se aproxima de Mateus, que está assustado. – Parece que ela não tem medo que algo aconteça com o amado filhinho dela. – Ela toca no rosto de Mateus que se arrepia. – Acho que desse dia você não passa, garoto. – Ameaça, com um sorriso estampado.
Samira arregala os olhos e se aproxima.
SAMIRA: – Então deu errado, tia. Temos que sair daqui antes que descubra onde estamos.
PERPÉTUA: – Está ficando louca? Eu não vou sair daqui sem antes dar uma lição na minha filha por meio do filhinho dela.
Samira se coloca na frente entre Perpétua e Mateus.
SAMIRA: – Você não vai fazer nada com uma criança, tia. Você só pode estar brincando.
PERPÉTUA: – Eu não estou brincando, disse para você que se esse plano mão desse certo, eu faria o que eu prometi e não vou voltar atrás.
Samira encara Perpétua, que também mantêm firme seu olhar.
PERPÉTUA: – Saia da minha frente se você não quiser ter o mesmo fim que ele, Samira.
Samira segura os braços de Perpétua e a empurra para cima do sofá, enquanto isso ela consegue soltar Mateus, que corre para próximo da porta, que se abre, Frederico entra e abraça o filho sob os olhos de ódio de Perpétua.
FREDERICO: – Acabou para vocês duas, acabou! – Grita com muita raiva.
Perpétua se levanta com certa dificuldade, pega algo debaixo do sofá discretamente.
PERPÉTUA: – Nada acabou ainda, nada! – Exclama enquanto aponta uma pequena arma na direção de Frederico, que por sua vez coloca Mateus atrás dele. – Ninguém sairá daqui enquanto eu não terminar o que comecei, principalmente você Frederico… tudo isso está acontecendo por sua culpa, somente sua culpa.
Samira dá alguns passos para o lado e Perpétua lhe aponta a arma.
PERPÉTUA: – Não se mexa, você também está contra mim.
Em um momento de distração, Frederico abre a porta e Mateus corre para fora, Perpétua vê e no ato dispara pelas costas de Frederico. Samira grita, desesperada ao ver Frederico cair depois de ficar cambaleante.
CONTINUA
21º CAPÍTULO
2017, Centro-oeste do Brasil
CENA 1: Sítio Dois Caminhos, Casa, Interior, Noite
Samira olha para o corpo de Frederico, incrédula. Ela olha com muita raiva para Perpétua, que está distraída.
SAMIRA: – Isso não estava nos nossos planos sua louca. Você o matou, o matou! – Grita, enraivecida.
PERPÉTUA: – Ele não me deu escolha e para de choro, pois você só está assim pelo fato de ser o Frederico, e agora ele já foi tarde. – Diz com muita frieza.
SAMIRA: – Desgraçada! – Ela grita enquanto avança em cima de Perpétua e começa a desferir tabefes no rosto dela. Perpétua cai em cima do sofá enquanto Samira continua com a surra. Perpétua deixa a arma cair.
Frederico abre os olhos e começa a se arrastar para fora da casa em busca de uma saída, o braço no qual levou o tiro ainda dói muito e sangra.
PERPÉTUA: – Eu vou lhe matar sua cobra, traidora, infeliz! – Ela ameaça depois de se livrar de Samira e correr em direção a arma, mas um pé é posto em cima dela quando chega perto. Perpétua levanta a cabeça e vê sua filha em sua frente.
LAURA: – Eu disse para não mexer com meu filho!
CENA 2: Sonhador, Zona Rural, Estrada, Noite
Mateus corre sem olhar para trás, mas já cansado, para e se preocupa com o pai, ele vê que está no meio da estrada.
MATEUS: – Eu não devia ter deixado meu pai lá… não. – Ele chora enquanto pensa em retornar.
Mateus vê uma forte luz se aproximar, então ele arregala os olhos e o carro para próximo dele. Olavo sai do veículo e se espanta ao ver que é Mateus.
OLAVO: – Mateus?! Você está bem?
Mateus respira um pouco mais aliviado ao ver Olavo na sua frente, mas ainda pensa na situação difícil do pai.
MATEUS: – Meu pai me salvou, mas assim que eu saí de lá ouvi um tiro e estou com medo.
Olavo abraça Mateus.
OLAVO: – Fique calmo, a polícia já foi avisada Mateus e não vai acontecer nada com seu pai. – Ele tenta acalmar o garoto, que chora com medo das possiblidades.
CENA 3: Fazenda Serrado, Casa, Varanda, Exterior, Noite
Patrícia está muito preocupada, assim como Rubens que a todo momento olha para o celular. Damião se aproxima de Patrícia e tenta fazer algo para melhorar seu estado.
DAMIÃO: – Senhorita, vai ficar tudo bem, acredite! Deus está olhando por eles e não vai deixar que algo ruim aconteça.
PATRÍCIA: – A Laura saiu daqui transtornada e eu sei como minha amiga é quando mexem com com quem ela gosta e ainda mais sabendo que foi a própria mãe. Que Deus permita que tudo fique bem. – Desabafa enquanto olha para Damião, que por sua vez é pego de surpresa por um abraço. Ela chora em seu ombro.
CENA 4: Sitio Dois Caminhos, Casa, Interior, Noite.
Laura olha para a mãe com muita raiva, o seu pensamento é tomado por lembranças e fatos. Laura afasta a arma com o pé para próximo da porta. Ela levanta o olhar e vê Samira, sua prima.
LAURA: – Até você, Samira! Onde você esteve esse tempo todo? – Questiona enquanto Samira a olha. – Não precisa dizer, pois parece que você esteve na escola de crime da minha… dessa mulher desprezível. – Diz enquanto volta seu olhar para Perpétua, que se levanta sob a permissão de Laura. – Eu nunca pensei que teria nojo da senhora, mas agora eu tenho e não é pequeno. – Diz antes de esbofetear o rosto da mãe que perde o equilíbrio e cai. – Onde está o meu filho sua velha maldita? – Pergunta com muita raiva.
SAMIRA: – Ele não está mais aqui, Laura. Ele fugiu com a ajuda do Frederico, que também deve estar por aí.
Laura olha para Samira e parece analisar a prima. Perpétua se apoia no sofá e se levanta tentando partir para cima da filha, que desfere mais um tapa na face dela.
LAURA: – Isso é pouco para o que você merece, mamãe. Você manipulou tudo e todos por muito tempo, e não foi só isso, não é mesmo? Para piorar, a senhora cometeu um monte de assassinato, entre eles, o do meu pai… tudo por dinheiro, tudo por uma coisa que sempre esteve ao seu alcance, mas que a senhora queria muito mais. – Diz enquanto caminha até a porta, ela se abaixa e pega a arma nas mãos. – Eu deveria matá-la. – Ameaça ao se voltar para as duas. – Mas isso só iria prejudicar a minha vida e a dos outros. Não sou igual a senhora, mas infelizmente carrego esse mesmo sangue. Fiquem aí, pois logo o destino de vocês duas vão chegar. – Ela aponta a arma e se afasta para fora da casa.
Já é possível ouvir a sirene da polícia.
CENA 5: Sítio Dois Caminhos, Exterior, Noite
Laura chama por Mateus enquanto olha para todos os lados até que ouve a voz de Frederico, que está encostado em uma árvore com certa dor depois do tiro que levou. Ao vê-lo nesse estado, Laura corre até ele, preocupada.
LAURA: – Frederico! Frederico!!! – Ela se aproxima e segura a mão dele.
FREDERICO: – O Mateus conseguiu fugir, meu amor…
LAURA: – Você levou um tiro? – Pergunta enquanto vê a parte detrás da camisa ensanguentada.
FREDERICO: – Eu vou ficar bem, prometo. – Afirma enquanto tenta esboçar um leve sorriso. – Fica aqui comigo. – Pede enquanto olha de relance para a estrada. – A Polícia já está chegando.
O aperto de mão se intensifica, os dois se olham, ela preocupada, e ele de forma cansada como se estivesse a perder as forças. Laura retira o celular do bolso da calça e aciona o socorro, ela continua a segurar na mão de seu amado.
A polícia logo chega e invade a casa, a busca se faz minuciosa. A camionete de Olavo chega em seguida e ele sai correndo do carro e abraça os pais.
CENA 6: Sítio Dois Caminhos, Mata, Exterior, Noite
Perpétua e Samira correm por entre as árvores tentando fugir da polícia, elas param próximo de um grande pé de manga.
PERPÉTUA: – Eu ainda vou matar você. Por causa de você é que estou nessa agora. Eu, uma mulher distinta tendo que fugir da polícia.
SAMIRA: – Culpa minha? Culpa minha? Me poupe tia, quem tem vontade de mandar a senhora pra outro mundo sou eu. Cedo ou tarde a senhora iria pra cadeia mesmo. – Diz abrindo um sorriso. – Mas a senhora irá sozinha, ouviu?
PERPÉTUA: – O que você está dizendo?
SAMIRA: – Já disse! – Ela grita enquanto se afasta para dentro de um lugar onde o mato é mais denso.
PERPÉTUA: – Cobra desgraçada! Cobra! – Grita, enraivecida ao ver a transformação de Samira.
Um foco de luz atinge o rosto de Perpétua que arregala os olhos.
POLICIAL: – A senhora está presa!
CENA 7: Fazenda Serrado, Casa, Sala, Interior, Manhã
Laura olha pela janela enquanto Patrícia vem da cozinha com uma xícara contendo chá. Ela para ao lado de Laura.
PATRÍCIA: – Agora tudo acabou, minha amiga.
LAURA: – Minha mãe ficou totalmente louca, Patrícia. Ela gritava enquanto era colocada no carro da polícia que a Perpétua era uma cobra, que se transformava em uma cobra.
PATRÍCIA: – Meu Deus! Ela ficou totalmente biruta, Laura.
LAURA: – Eu acho que ela nunca foi uma pessoa normal… quero ela bem longe de mim, da minha família.
PATRÍCIA: – Falando em família, você está arrumada desse jeito para ir ao hospital? – Questiona mudando de assunto.
LAURA: – Sim, estou com uma saudade enorme do Frederico, mesmo que não tenhamos ficado um dia sequer separados.
PATRÍCIA: – Isso é amor, minha amiga… isso é amor indomável. – Ela esboça um sorriso.
CENA 8: Sonhador, Hospital, Quarto, Interior, Manhã
Frederico abre os olhos depois de uma longa noite de sono e se depara com Olavo ao seu lado. Olavo fica animado ao ver Frederico acordado.
FREDERICO: – Você passou a noite aqui?
OLAVO: – Sim, era o mínimo que eu poderia fazer, Frederico. A noite ontem foi agitada, o dia inteiro na verdade. Como você se sente?
FREDERICO: – Estou melhor, ainda com um certo incômodo no braço, mas estou melhor do que antes. A polícia prendeu a Perpétua e a Samira?
OLAVO: – Somente a Perpétua, que parece não estar bem das ideias, pois saiu gritando que Samira havia se transformado em uma serpente para fugir.
FREDERICO: – Se isso fosse verdade, eu saberia, pois convivi com ela durante esse tempo. – Revela. – Então a Perpétua enlouqueceu mesmo.
OLAVO: – Você teve um relacionamento com a Samira, Frederico?– Questiona um pouco impressionado.
FREDERICO: – Não, apesar de ela sempre ter insistido nisso, mas eu jamais toquei nela, jamais dei esperança. Agora vejo que ela também pode está envolvida no plano que me separou da Laura.
OLAVO: – Isso você pode ter certeza que sim, pois a Samira nunca foi flor que se cheira.
FREDERICO: – Eu só quero essas duas bem longe da ,minha família, bem longe de todos nós.
Olavo consente com a cabeça.
CENA 9: Sonhador, Delegacia, Cela, Interior, Manhã
Perpétua olha para todos os lados dentro da cela em que está sozinha, seus cabelos estão desgrenhados, sua roupa com muita poeira. Ela caminha até próximo das barras de ferro da grade e as segura.
PERPÉTUA: – Eu não sou louca e vou sair daqui. Eu vou sair daqui e aí sim todos vão ver do que sou capaz. – Afirma esboçando um sorriso diabólico.



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