2017, Centro-oeste do Brasil
CENA 1: Fazenda Serrado, Jardim, Exterior, Manhã
Laura e Frederico caem para o lado, ela devido a Frederico tê-la empurrado. Eles olham e veem Perpétua correndo para dentro da casa, outra olhada e ficam chocados ao verem Samira caída, ela se contorce por conta do tiro que levou. Laura se levanta rapidamente e se põe ao lado da prima. Samira coloca a mão no peito que sangra.
SAMIRA: – Era pra eu estar no lugar dela, mas ela foi mais rápida. – Confessa ao ver Laura do seu lado.
LAURA: – Para que tudo isso, Samira? Não entendo.
SAMIRA: – Eu também não entendia, aliás… – Ela faz uma pausa. – Até hoje eu não entendo. Quando eu vi ele naquele dia, automaticamente fiquei fissurada. Você sempre teve tudo, Laura, sempre teve tudo e eu nada.
LAURA: – Meu pai gostava de você como uma filha, como uma filha. Você escolheu viver de forma simples, não queria ser como eu.
SAMIRA: – Eu me arrependo de quase tudo, Laura, menos de ter amado o Frederico, mesmo que eu não tenha tido nada com ele. Eu me vi cega, absolutamente cega com esse sentimento e aceitei tudo para que pudesse ficar com ele. – Diz enquanto se lembra da proposta de Perpétua. – Eu estava disposta a tudo.
LAURA: – Agora não é momento pra isso, você nos salvou, se colocou na frente de uma arma. Vou fazer de tudo pra que você fique bem.
Samira continua a sangrar. Laura levanta a cabeça e recebe um sinal positivo de Rubens, que já avisara o socorro. Laura segura na mão de Samira tentando, mesmo com a situação tensa, dar uma pequena ajuda.
CENA 2: Fazenda Serrado, Rio, Exterior, Manhã
Perpétua passa por dentro da casa e sai pelos fundos. Ela corre pelo campo com um estranho sorriso no rosto, acredita ter matado sua filha.
PERPÉTUA: – Ela vai estar com você logo logo, Horácio. – Afirma fazendo uma pequena parada, logo volta a correr novamente.
Perpétua alcança a margem do rio, ela olha em direção a sede da Fazenda, depois corre seus olhos pelo rio, que agora tem suas águas sujas devido às chuvas.
PERPÉTUA: – Ninguém vai me pegar, ninguém vai tocar em mim. – Diz enquanto gargalha. Ela se ajoelha sobre a grama e olha para a outra margem do rio, então arregala os olhos. – Mãe, irmão, Horácio. – Ela sorri. – Vocês também estão aqui, não morreram. – Continua enquanto olha fixamente para o outro lado.
Perpétua começa a andar de joelhos e sorri o tempo todo, do outro lado do rio não há ninguém, apenas alguns troncos de árvores.
PERPÉTUA: – Eu vou até vocês, esperem, eu vou até aí, não vou demorar! – Grita entrando no rio. – Vocês me perdoaram, me perdoaram.
Perpétua entra por completo na água, a correnteza está forte e ela continua a seguir para o meio acreditando piamente que está vendo as pessoas que ela matou.
CENA 3: Flashback
2005, Fazenda Serrado
Perpétua segue com duas taças de vinho na mão direita e na esquerda carrega uma garrafa, aproveita a porta entreaberta do escritório de Horácio e entra, fechando em seguida com a ponta do pé.
PERPÉTUA: – Trouxe algo para você relaxar, meu amor.
Horácio está sentado na cadeira atrás da mesa, ele se levanta ao ver Perpétua.
HORÁCIO: – Não precisava, Perpétua. – Diz ao se aproximar dela. – Deixe eu ajudar você. – Ele pega as taças da mão dela.
PERPÉTUA: – Precisava sim, pois você anda muito ocupado ultimamente, sinto sua falta. – Sorri antes de beijá-lo.
Perpétua começa a servir o vinho, primeiro em sua taça, ela tem um pequeno sorriso no canto da boca. Na taça de Horácio é notório a presença de um pó branco, que assim que o vinho o toca, ele começa a se diluir. Perpétua pega sua taça e entrega a de Horácio, que sorri.
PERPÉTUA: – Ao nosso amor, à nossa família, ao futuro. – Diz ao levantar sua taça e brindar com Horácio.
Horácio toma o primeiro gole do vinho e abraça Perpétua.
HORÁCIO: – Desculpa se eu não fui um bom marido, desculpa se algum dia desconfiei de você, Perpétua. Apesar desse seu jeito, eu a amo muito. – Diz, sorridente.
PERPÉTUA: – Eu também amo você, Horácio. – Mente.
Os dois se beijam de maneira intensa, mas Horácio se afasta ao sentir uma forte tontura, ele começa a ver tudo embaçado e olha para Perpétua que sorri, um sorriso farto.
HORÁCIO: – Você… o vinho… envenenou o vinho. – Diz sentido a língua ficar dormente.
PERPÉTUA: – Boa sorte no inferno, infeliz! – Grita antes de gargalhar.
Horácio coloca a mão no peito e cai em cima do tapete, seus olhos se fecham lentamente depois da última pontada no peito. Perpétua se serve de mais um pouco de vinho enquanto observa.
2017
CENA 4: Fazenda Serrado, Exterior, Tarde
Perpétua segue tentando atravessar o rio, sua mente perturbada a faz crer que Horácio, a mãe e o irmão estão do outro lado do rio lhe chamando. De repente, ela não consegue mais sentir o fundo do rio e submerge com toda força, tenta retornar a superfície, mas não consegue, é arrastada pela correnteza. Perpétua desaparece nas águas.
Um policial junto de Damião chega tarde, mas veem o corpo desaparecendo nas águas. O policial retira o celular do bolso.
POLICIAL (Ao Celular): – Façam buscas no rio, façam buscas no rio.– Diz e já encerra a ligação.
DAMIÃO: – Ela se matou?
POLICIAL: – Parece que sim. Não há mais nada a ser feito aqui.
CENA 5: Fazenda Serrado, Jardim, Exterior, Tarde
Os convidados já dispersaram, junto de Samira está somente Laura e Frederico, que estão angustiados a espera de socorro.
SAMIRA: – Tudo isso é inútil, Laura, Frederico. Eu já sinto minha alma se desprendendo do meu corpo.
FREDERICO: – O socorro vai chegar logo e você ficará bem, Samira, acredite!
Samira sorri, conformada. Ela luta para manter os olhos abertos.
SAMIRA: – Eu preciso morrer longe daqui, longe. – Diz enquanto fecha os olhos por alguns segundos.
Rubens se aproxima para falar sobre a ambulância, Frederico e Laura se distraem e quando voltam a olhar para onde Samira estava, não a veem mais, eles ficam incrédulos.
LAURA: – O que houve aqui? – Ela se pergunta com os olhos a correrem por todo o Jardim. – Ela estava aqui, estava bem aqui, Frederico.
FREDERICO: – Ela nos enganou? Foi isso? – Questiona também procurando vestígio de Samira.
Os policiais que estavam dispersos se juntam e começam a fazer buscas pela Fazenda na tentativa de encontrarem Samira, mas nada.
CENA 6: Sonhador, Fazenda Serrado, Fazenda Brilhante, Exterior
Laura fica intrigada com o desaparecimento de Samira, que mesmo ferida parece ter conseguido escapar. Laura fica sabendo do que aconteceu com a mãe e fica abalada. O tempo se fecha e logo uma chuva torrencial se inicia dificultando o trabalho dos bombeiros que buscavam o corpo de Perpétua.
DIAS DEPOIS
CENA 7: Sonhador, Casa de Paco, Sala, Interior, Manhã
Patrícia está com algumas malas nas mãos, ela olha para todos os lados da casa do grande amigo e sorri. A campainha toca, ema deixa as malas e vai atender. Patrícia abre a porta e seu sorriso fica mis intenso.
DAMIÃO: – Está tudo pronto?
PATRÍCIA: – Tudo sim. – Responde se aproximando dele. Damião a beija.
DAMIÃO: – Vamos até a Fazenda e depois seguimos para o aeroporto. – Diz após o beijo. Ele entra na casa. – Deixa eu lhe ajudar com essas malas que parecem bastante pesadas. – Ele pega as malas de Patrícia. Os dois seguem para fora da casa, sorridentes.
CENA 8: Fazenda Serrado, Casa, Varanda, Exterior, Manhã
Frederico pega Laura nos braços e a beija com muito amor, beijo demorado e com uma gana dos melhores sentimentos.
LAURA: – Você acha que longe daqui a gente vai conseguir se casar?
FREDERICO: – Tenho certeza, mas a gente vai rapidinho e já volta aproveitamos e fechamos um excelente negócio pela venda do frigorífico.
Frederico coloca Laura em pé no chão e olha para Mateus que está parado próximo da porta sorrindo feito bobo.
FREDERICO: – Cadê seu avô, filho?
MATEUS: – Ele disse que já está vindo. – Responde ainda sorridente.
LAURA: – Do que você tanto ri, filho?
MATEUS: – Quando eu crescer quero ter um amor que nem o de vocês, pai, mãe, um amor indomável.
FREDERICO: – Não está no momento de pensar nisso. Mas quando você crescer, tudo acontecerá como deve acontecer. – Frederico se aproxima e abraça o filho. Rubens que vem da sala se junta ao abraço, assim como Laura.
A camionete de Olavo para e ele sai correndo do veículo na companhia de Paco e também se junta ao abraço.
OLAVO: – Ainda bem que chegamos em tempo. – Diz envolvido no abraço coletivo.
Damião encosta seu carro próximo da camionete de Olavo, ele sai do veículo junto de Patrícia, que o beija, apaixonada.
LAURA: – É tão bom lhe ver assim, amiga.
PATRÍCIA: – Parece que eu e o Damião nos conhecemos há muito tempo, Laura. Eu deveria ter vindo morar aqui antes, Sonhador é realmente encantador. – Diz, sorridente.
CENA 9: Fazenda Serrado, Campo, Exterior, Tarde
Frederico, Olavo, Paco e Mateus cavalgam pelo campo. Frederico se aproxima com o cavalo próximo do cavalo de Olavo.
FREDERICO: – Sei que parece muito tarde pra eu fazer papel de irmão preocupado, mas tenho que fazer. – Diz, sorridente. – Quando você e o Paco vão se unir?
OLAVO: – A gente já está unido, meu irmão. Esse amor que nasceu entre a gente desde nossa adolescência nos uniu pra sempre. Assim como o seu e da Laura, o nosso também é um amor indomável, que corre livre por aí.
FREDERICO: – Eu fico muito feliz em ver você feliz, Olavo, de verdade. Não importa o que disserem, o que vale é o amor, meu irmão. – Afirma sorrindo. – Agora, não adianta querer fugir, pois quero vê-lo com uma aliança nesse dedo aí. Não deixa o meu irmão lhe enrolar, Paco. – Diz ao olhar para Paco.
Frederico cavalga em direção do filho. Paco e Olavo ficam para trás. Paco olha para o céu, ele sorri.
PACO: – Pela primeira vez não estou mais com medo.
OLAVO: – É por eu estar aqui lhe protegendo. Não precisa ter medo de ser quem você é, jamais. – Ele aproxima de Paco e o beija. Os dois dão as mãos. – Eu vou cuidar sempre de você, lobinho.
PACO (Sorrindo): – Esse apelido de infância nunca me caiu tão bem como agora.
CENA 10: Fazenda Serrado, Margem do rio, Exterior, Tarde
Frederico chega devagar próximo da árvore onde Laura está sentada embaixo da sombra. Ele desce do cavalo e o deixa pastando as gramíneas.
FREDERICO: – Você vem sempre aqui? – Questiona, brincalhão ao se aproximar de sua amada.
LAURA: – Venho sempre para ver o meu grande amor. – Responde entrando na brincadeira.
FREDERICO: – E posso saber quem é esse sortudo?
LAURA: – É você seu bobo. – Afirma com grande felicidade.
Frederico a beija enquanto se senta no chão. Ele faz com que ela se deite ficando com a cabeça em sua coxa, então passa a afagar os cabelos dela.
FREDERICO: – Eu amo muito você, Laura.
LAURA: – Amo você desde o primeiro olhar naquela chuva, amo você de forma indomável. – Ela diz olhando nos olhos dele.
Eles voltam a se beijar de forma intensa, apaixonante. Frederico para e reinicia o beijo a todo momento, nos entre beijos, trocam juras de amor, palavras de carinho. Frederico se levanta e pega Laura nos braços, ele segue até o cavalo e a coloca em cima, logo se junta a ela e iniciam uma cavalgada pelo campo enquanto o sol começa a se pôr lentamente, no alto de um monte, Mateus, Paco, Olavo e Rubens se juntam a eles.



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