Rebeca sentiu como uma pontada em seu coração. David parecia estar bastante ferido. Seu rosto, envolto por um respiradouro, estava cheio de sangue. Rebeca correu até ele desesperada.
- David! – tentou aproximar a mão da maca. Mas foi impedida por um dos enfermeiros.
- Afaste-se, por favor – disse ríspido – temos que levá-lo pra sala de cirurgia!
Saíram apressados. Rebeca sentiu-se sem chão. Não tinha palavras ou qualquer pensamento. Sentou-se ainda com a mão elevada a boca. De repente, o medo de perdê-lo a assaltou.
Aproximou-se aflita de uma enfermeira que preenchia alguns papeis.
- Por favor, enfermeira, pode me dizer o que aconteceu? – ela a encarou suplicante.
- Bem, parece que ele sofreu um acidente de carro! – ela explicou sem tirar os olhos dos documentos - foi encontrado perto da divisa do estado, provavelmente queria chegar a rodoviária!
Rebeca então pensou que ele devia estar fugindo quando sofreu o acidente. A enfermeira pegou a carteira que haviam encontrado no bolso de David e mandou que a secretária ligasse para alguém da família dele. Antes, porém, de entregá-la, viu algo que a surpreendeu.
- Você é familiar da vítima? – ela a indagou intrigada.
- Como? – Rebeca perguntou confusa.
- Eu achei isto na carteira dele!
Rebeca estremeceu ao ver sua foto. Uma lágrima se rompeu.
- Sou... – tremeu – a namorada dele! – completou decidida.
Enquanto isso, Pedro deixou Raquel em sua casa. Ela agradeceu rapidamente. Saiu do carro.
- Espera! – ele saiu atrás dela.
Ela parou por um instante.
- Eu não sei como te pedir isso Raquel... – levou às mãos a cabeça – mas eu preciso que vá a um jantar na casa dos meus pais...
- O que? Não... Eu não posso mais fazer isso! – Raquel saiu determinada. No entanto foi barrada por ele.
- Eu sei que eu estou pedindo demais... – desculpou-se – mas é que os meus pais nunca valorizaram o que eu fiz e pela primeira vez eles se orgulham de uma atitude minha!
- Pedro... – ela balbuciou. Sabia que ele exercia certo poder sobre ela.
- Por favor – sussurrou amigavelmente – eu preciso de você! – apertou suas mãos fortemente.
- Precisa de mim? – ela se surpreendeu olhando-o estática.
- Claro – sorriu – aliás... Agora você é a minha melhor amiga!
Raquel baixou o olhar. Levantou-o séria.
- Me desculpa!... Não posso te ajudar nessa! – respondeu fria saindo em direção a casa.
Passavam-se horas. Rebeca não conseguia aguentar a dor que sentia. Mesmo sabendo que ele não a amava, sabia que se algo acontecesse a ele não poderia viver. Seria como se uma parte dela fosse retirada.
O médico finalmente apareceu. A enfermeira lhe falou sobre Rebeca. Ele então se aproximou dela.
- Você é a namorada de David Martins? – perguntou em tom sério.
-... Sim! – ela respondeu como que saindo de um transe. Levantou-se bruscamente – como ele está?
- Sinto dizer, mas as noticias não são promissoras. Ele sofreu traumatismo craniano com a queda. Não vou negar, a situação não é nada boa. Teve escassez de oxigenação no cérebro e tudo consta que teremos que operá-lo.
- O meu Deus! – Rebeca rompeu-se em lágrimas.
- Por enquanto não temos previsão de quando ele pode recuperar a consciência!
- Ele... Pode nunca mais acordar? – ela sentia uma vertigem enorme a tomar.
- Pode, também como não pode. Tudo vai depender das próximas horas. Se tudo estiver bem, nós o operaremos e então teremos que esperar pra saber como ele vai reagir.
- Salve ele... Por favor, doutor! – ela suplicou.
- Nós faremos tudo que estiver ao nosso alcance... Eu garanto! – saiu em direção as salas.
Ela não podia acreditar no que estava acontecendo. Ele estava entre a vida e a morte.
No dia seguinte, no colégio, Nicole veio até Raquel no refeitório.
- Eu soube da sua briga com a Rebeca!
- Nossa! As noticias aqui correm rápido! – comentou olhando para a comida.
- É por isso que você esta assim? – perguntou preocupada.
- Não... O Pedro quer que eu vá a um jantar na casa dos pais dele!
- Mas isso é ótimo! – falou exasperada – mas por que esta assim então?
- Por que os pais dele pensam que eu... Sou a namorada dele! – afirmou séria.
- O que? – Nicole gritou.



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