Não é desconhecido de ninguém que vem acompanhando a coluna
Adoroweb há um tempo, as polêmicas envolvendo algumas de minhas críticas.
Comentários chulos ou em tom raivoso oferecem sua resistência as minhas
opiniões, que na visão deles, seria apenas um discurso de ódio com o único
objetivo de denegrir o autor. Mas no fim das contas, nada fora do normal. As pessoas,
e principalmente a cultura brasileira, é evidentemente adversa a correção e ao
aprendizado. Saber algo, evoluir, buscar o aprimoramento, é visto como
arrogância ou até mesmo frescura. Mas em meio a todos estes discursos, dois
deles me chamaram a atenção, na verdade, dois personagens que, acredito
simbolizam muito do que quero dizer hoje a vocês.
Quero contar a história de dois amigos. Lusio e Eliseu. Em
um dia quente de verão, em que os dois meninos brincavam na floresta, eis que
Eliseu, ao lançar os olhos para cima, avista uma pipa. Suas cores eram vivas,
azul e vermelho e seu enorme rabo de papel flutuava ao vento. Porém, ela
encontrava-se no último galho da árvore, tão alto que se alguém conseguisse
subir, sentiria a umidez das nuvens. Mas ela era tão linda e imensamente
potente, que Eliseu tomou fôlego e contente resolveu subir. Até que foi detido
pelas mãos de Lusio em seu ombro. E viu o amigo apontar para a fileira de
espinhos que percorriam todo o tronco e ameaçavam quem se aventurasse. “Não
pode”, disse ele, “vai machucar os pés”. E assim, foram embora os dois garotos,
ambos sem a pipa. Lusio sorriu consigo, pois eram iguais. Ainda bem, pensou
ele, que o amigo esquecera que somente Lusio estava descalço. E a pipa continuou
a tremular majestosa e ávida ao vento.
Esta é uma pequena ilustração, mas que representa algo que
acontece na realidade. A pipa, simboliza o sucesso, o prêmio, ou o
reconhecimento para aqueles que se arriscam a enfrentar os espinhos da vida, ou
seja, os tropeços, os erros e as críticas, em função de alcançarem o que
desejam. E o amigo, são todos aqueles que nos dizem para não tentarmos.
E isso me lembra de quando lancei a crítica para a web
novela “herói nacional”. Fiz a pedido de um leitor e não poderia imaginar o que
aconteceria depois. Uma enxurrada de comentários negativos enfileirou-se, com
palavras raivosas e prepotentes. Mas afinal, nada para o qual já não estivesse
preparada. Porém, algo que não poderia sequer prever aconteceu: Em meio aos diversos
gritos, uma resposta calma e passiva, me dizendo que eu tinha toda a razão e me
agradecendo pela análise. E pasmem: era o próprio autor!
Eu tinha classificado sua obra como um verdadeiro desastre,
devidamente, é claro, de fato, ela chegou até a ganhar como “melhor obra da lixeratura”,prêmio adoroweb para os piores do ano, no entanto, lá estava ele,
me agradecendo. Acho que nunca em minha vida havia encontrado alguém tão maduro
e contente em aprender. O elogiei, admirada, e ele oficialmente entrou para
minha lista “autores crush”. (Sim, eu tenha esta lista haha).
Mas bem diferente deste, houve um outro personagem que
captou minha atenção, não somente pela quantidade de mensagens que recebi deste
mesmo (várias!), mas pelo tom de defesa e ódio que proferia contra mim. Ele se
definia como amigo do escritor e me acusava de o estar perseguindo-o. Disse que
com minhas palavras eu o estava machucando e o obrigando a parar de escrever! E
pouco tempo depois, ainda não contente, após o amigo ganhar um certo prêmio de
melhor autor, dado pelos próprios colegas de site, veio pessoalmente até a mim,
alegando que minhas críticas não haviam conseguido rebaixar o amigo dele e que
ele tinha alcançado o merecido reconhecimento pelo ótimo escritor que era. É
claro que me enraiveci e muito, pois minhas críticas nunca visam denegrir
ninguém, somente falar da obra em si, e mandei ele enfiar o premiozinho idiota
dele naquele lugar!
Mas o que me espantou e é o objetivo do que venho refletir
com vocês, caro leitores, é a imensa certeza para este tal, de que agindo desta
forma, ele está sendo amigo do autor. Acredito, então, que esteja havendo por
parte dele, alguma distorção do que significa esta palavra. Amigo, vem da
palavra em latim, “AMICUS”, que por sua vez, provém do verbo “AMARE”, ou seja,
amor. E o que é o amor? Amar nada mais é que desejar o bem a outra pessoa. “Mas
Érika, ele não quer que o amigo se machuque. Isso não é querer o bem?”, alguns
podem interpelar. Porém, trata-se de desejar o bem DO OUTRO e não a sua
definição de bem. Amar é reconhecer o outro como um indivíduo independente de
você que tem suas próprias necessidades, sonhos e anseios e, respeitando isso,
querer que ele consiga estas coisas.
É como se eu tivesse um pequeno gatinho, e o amando
intensamente, não me contentasse em apenas lhe dar qualquer coisa para comer,
mas o melhor, meu prato favorito: chocolate. (Sim, sou chocólatra haha). Sabendo
o quanto adoro comer isto, dá-lo ao gato evidentemente seria um ato de afeto,
não? Mas o que aconteceria? Com certeza ele sofreria pela falta de nutrientes,
pois não é isso que os gatos precisam. Da mesma forma, dar ao outro o que desejamos
para nós. revela-se, na verdade, como um ato incrivelmente egoísta, de alguém
que dizendo gostar, anula o próximo a ponto de não respeitar quem ele é.
E o que este “amigo” está dizendo ao outro quando busca o
proteger de qualquer crítica ao redor é que ele não é capaz de ouvir o
contraditório, pois não conseguirá se levantar, ou seja, que ele é fraco. Ora,
críticas ouviremos a vida inteira. E são elas mesmas as responsáveis por nos avaliarmos
e buscarmos mudanças para um caminho positivo em nossas vidas. O que acontece
quando silenciamos todas estas vozes “negativas”? O estado de completa
estagnação. Paralisamos no tempo, não crescemos, não construímos, não saímos do
lugar. E digam, acham que é isto que um futuro escritor precisa? Portanto, o
que este “parceiro” está fazendo ao outro elogiando um texto mal feito, é
violentamente sentenciá-lo a nunca evoluir. Chamar isso de “amizade” não
somente torna-se uma desonra ao sentido verdadeiro da palavra, como quase um acobertamento
maligno para um crime.
Crime este que provém de um simples fator: a falta de amor
próprio. Quando não nos valorizamos ou enxergamos em nós sequer uma qualidade
positiva, passamos a ter medo e até mesmo ódio das críticas, pois elas apontam
para a qualidade e perfeição que não acreditamos poder atingir. Assim, qualquer
pessoa ao redor que parece ter as mesmas, ou ao menos, a vontade de alcançá-las
precisa ser rebaixada. As descemos ao nosso nível, então, pois, não podemos
suportar lidar com alguém que aparenta estar acima de nós. Como Lusio, que
feliz reparou no quanto os dois eram iguais, porém, não enxergou o fato de
ambos não estarem com a pipa.
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- Notas PRIME TV
1. Essa coluna está protegida pela lei nº 9.610/1998, Art. 46 III, que protege a utilização de qualquer obra ou trechos dela, em qualquer mídia ou meio de comunicação para fins de crítica, estudo, ou polêmica.
2. As opiniões expressas nessa coluna não refletem necessariamente as da DIGGTV. Elas são de total responsabilidade do autor.
3. Este quadro não tem como intuito rebaixar ou menosprezar qualquer autor ou obra, mas sim, de abrir um diálogo em prol da qualidade literária.





Me lembrei de dois episódios: em 2014 quando defendi meu TCC de bacharelado eu ouvi muitas críticas tanto da banca quanto até mesmo da minha orientadora. De fato, no final do meu curso eu já trabalhava em tempo integral e tinha ficado bem relaxada, especialmente no segundo semestre. Porém, quando fiz o mestrado e em 2017 fui defender a minha dissertação, minha ex-orientadora (a de 2014) agora era minha banca de mestrado e naquela ocasião ouvi muitos elogios de como melhorei do TCC pra dissertação (ainda bem, né? Imagina que vergonha fazer uma dissertação pior que um TCC? kkk). É aí que na prática eu vi o quanto me foi necessário as críticas de 2014 para que em 2017 eu tivesse sucesso. É assim com tudo: trabalho, estudos, webnovelas. Faz parte.
ResponderExcluirP.S.: estou aguardando ansiosamente sua crítica sobre 'Destino' kkkk
E você está de parabéns por todas as suas conquistas , Luciane. É muito esforçada.
ExcluirObrigada, Diego. Só valerá a pena se eu conseguir tocar os sentimentos de vocês. Gosto muito quando vocês comentam algo da novela, me sinto bem realizada. :)
ExcluirSimmm. As críticas tem um papel essencial em nossas vidas. Uma pena que nem todos enxerguem assim. Mas fico muito feliz que você seja uma dessas "peças originais", com certeza irá muito além. Parabéns! Ah e quanto a crítica, peço um pouquinho de paciência kkk. Não é exagero quando digo que os pedidos estão acumulados e são muitos. Mas, assim que puder farei sim. Beijo 😘😘
ResponderExcluirErika, acabei de ver a postagem e percebo que esta falando de mim e do Felipe. Em nenhum momento , o coloquei como incapaz de ouvir o contraditório. Eu quis defemdê-lo num momento em que o mesmo se sentia desvalorizado por ter poucos leitores . Posso ter agido errado, mas também sou humano como você , passivo de erros, assim como todos , então estou aqui lendo todas as suas palavras proferidas nessa postagem.
ResponderExcluirBoa noite
Diego, apartir do momento que você quis defendê-lo de alguém que não o estava atacando, mas pelo contrário, apontando-lhe os erros para que melhorasse, não somente você ofendeu a mim, mas a seu amigo também.
ResponderExcluirNão fiz questão nenhuma de esconder a quem eu estava me referindo, deixo bem claro no texto, pois não é meu estilo fazer nada que não seja sincero. E é de coração aberto então, que acredito que suas ações tiveram uma boa intenção. Mas ela não exclui os danos que as últimas causaram.
Meu artigo usou-os como referência, mas ele toma um tom abrangente no final, utilizando como exemplo pessoas que, não possuindo algo que seja elevado, desejam baixar todos a seu nível. Não significa que seja o seu caso. Porém, apesar disto, creio que ele sirva pra todos nós, a mim inclusive, quando, ao dizer amarmos uma pessoa, de forma egoísta a protegemos das coisas que na verdade as farão crescer.
Sendo assim, desejo realmente que sua amizade, se é dita verdadeira, o faça crescer e evoluir para alcançar seus objetivos. É disso que ele precisa. Lembre-se: a verdase é sempre o melhor presente que podemos dar a alguém. Beijos e boa sorte! 😘
Aquele povo que veio te criticar, vieram a pedido do próprio autor. Quando a crítica saiu ele pediu para que todos viessem te difamar. Não se engane, ele só fez foi manter a pose.
ResponderExcluirQuem está falando? O WNC já recebeu várias críticas , e eu e o Felipe nos incomodamos , simplesmente isso. Assim como o Felipe foi humilde , eu vim também me retratar , como um bom ser humano.
ExcluirGeralmente, a reação que recebo é sempre o ódio, por isso fiquei muito surpresa com o modo como ele lidou com a crítica e não por muito, desconfiada.
ResponderExcluirImagino agora então o ódio que ele sentiu por dentro ao ler minha crítica e não poder falar nada kkk. Mas que dissimulado não! Eu não me espanto de alguém ter uma atitude dessa, porém, vir aqui e mentir como se fosse outra pessoa? Isso demonstra uma quase psicopatia! (Seria bom se você tivesse algum print ou link para que eu comprovasse isso). Mas obrigada pela informação. 😘
Gostaria de esclarecer uma coisa. Eu sou o mesmo Diego, só que não conseguia entrar pelo meu e-mail.
ResponderExcluirEu vim sim me retratar para não continuar essa confusão . Não sou dissimulado e não preciso enganar ninguém. Esse anônimo deve ser alguém que não gosta de mim.
Bem, de fato está uma confusão. Mas deixemos isso pra lá então e continuemos com nossos trabalhos, simples assim. Continuarei com minhas análises, sem qualquer parcialidade e vocês continuem escrevendo e se aprimorando. Boa sorte.
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