31 de outubro de 2019

ADOROWEB - especial Halloween: Gato preto


HAPPY HALLOWEEN!!! Pra você que não comemora, mas tá sempre soltando as bruxas, ou você que, não é o van Helsing, mas, como todo brasileiro, tem que matar um lobo por dia! Todos nós temos um pouco de halloween em nós mesmos, não é verdade? Ah, e que coincidência, pois a trama de hoje fala exatamente disso!
Autor(a): Cristina Ravela
Ano: 201
6

Alice e Noel viajam até suas origens, uma pequena cidade interiorana, para ir ao casamento de Catarina, prima de ambos e uma das herdeiras da grande fortuna da família, fortuna essa a que foram negados ao serem banidos do convívio familiar por Avelino. No entanto, tudo pode mudar quando Catarina é misteriosamente assassinada, deixando, em seu testamento um estranho desafio: se Noel e Alice forem capazes de permanecerem na casa, herdarão todo o seu dinheiro!

Vocês lembram de Anti-heroí? Aposto que sim, afinal, essa web foi a única esse ano a conseguir a nota 4.0 aqui da coluna! Realmente, uma boa história e em minha análise, expus todos os motivos pelos quais ela foi bem sucedida, na verdade, as três principais características: ambientação, enredo focado e dualidade psicológica. Podem imaginar então minha ansiedade em ler essa série, escrita pela mesma autora; como também, minha enorme decepção, ao ver minhas expectativas totalmente frustradas!

Acontece que, por mais paradoxal que pareça, “Gato preto” conseguiu falhar em todas as mesmas características que tornaram “Anti-herói” uma boa trama! O que nos leva a constatar a enorme evolução de Cristina durante o processo das duas obras. 

E como meu propósito aqui é ver o crescimento dos autores, penso que nada melhor que estes dois exemplos para demonstrar que todos temos a capacidade de aprender e construir boas histórias. Por isso, farei algo diferente hoje: analisarei "gato preto" comparando-a lado a lado com sua sucessora, "anti-heroi". Vamos lá?

Enredo focado

Uma da melhores características de uma trama é saber levar o leitor. Mas aí é que está: levar para onde? Você pegaria um táxi, por exemplo, se não soubesse para onde ele iria te direcionar? Não, não é mesmo? Do mesmo jeito é uma narrativa. O público precisa saber que está caminhando para um destino certo. E a forma pela qual fazemos isso é tendo um foco, um lugar para o qual toda as subtramas girem em torno ou se direcionem.

“Ah, Érika, isso quer dizer que não se pode ter mais de um tema ou mais de um bloco?”. É claro que pode, somente é preciso que tudo isso siga um mesmo direcionamento. Vejam o exemplo de Harry Potter: temos vários livros e aventuras diferentes, mas o que reúne todas elas em uma só? Sim, o bruxinho, que lentamente vai desenvolvendo-se, encontrando-se com seu passado e enfrentando seus medos, assim, a audiência sente que está tudo caminhando para uma certa direção.


E no caso desta trama, o enredo promete uma disputa entre Alice e Alessandro pela herança deixada pela prima, com os parentes de Alice tentando a todo momento sabotar sua estadia na casa, no entanto, logo, o foco se perde totalmente entre casos de agressões cometidos por Avelino e no grande mistério do assassino. Nesse ponto a permanência na mansão já perde toda a importância e a falta de carisma dos personagens junto a apatia da protagonista não consegue formar um tema central. Diferente de "anti-herói" em que Nilo era a grande força motivadora daquela universo, movendo a história conforme seu crescimento como personagem.

Dualidade psicológica

Um dos maiores erros em fazer personagens redondos, ou seja, personagens com mais camadas, ou mais “reais”, vamos dizer assim, é acabar por transformar todos eles em loucos necessitando de camisa de força! E isso aconteça muito, devido a imaturidade em usar este recurso. Uma persona que parecia comum ou até mesmo boa mata sem nenhum tipo de remorso, sem qualquer explicação para isso, claro; vilões sádicos se convertem em verdadeiros anjos no final da história e tudo com a permissão do “Ah, meus personagens são complexos!”.

Mas há uma enorme diferença entre ter uma personalidade própria, cheia de nuances e humores, há ter diversas personalidades! Os psiquiatras que o digam!

E nisso Gato preto escorrega com maestria, fazendo com que seus envolvidos tenham diversos tipos de personalidade a todo momento. Chega a ser impossível acompanhar as evoluções psicológicas deles. Alessandro mesmo, esta sempre do lado do pai e mostra-se até sádico ao rir das maldades que eles cometem contra alice, no entanto, no final, a autora quer colocá-lo como quase um mocinho, apaixonado pela mesma. Impossível de engolir!

Ambientação

E por fim, uma das características em que “Anti-herói” mais se destacou: os tons sombrios da cidade, o olhar triste do protagonista sendo representado pelos objetos e paisagens, que nos faziam mergulhar naquele universo e no mundo interior do mocinho.Em “gato preto”, todavia, as descrições são frias, quase como um check list de um mercado: “uma cadeira marrom, cinco poltronas ao lado, um telefone vermelho, leite e manteiga... não esqueça do arroz”...

É preciso entender que ambientar não é somente dizer o que está no local, mas dar vida a esses elementos, pois não é somente uma sala, mas como o narrador ou o próprio personagem vê aquela sala, caso contrário era só colocar a foto e ficava mais fácil! (não vou dar ideia!).

A descrição psicológica, tão bem feita na outra história também é perdida. Além da confusão de humores desses personagens, a autora falha em nos dizer o que se passa no mundo interior de cada um. Suas interações, relações e conflitos um com o outro, cheias de adrenalina na série passada, agora são robóticas e não incitam qualquer emoção. Não preciso sem comentar sobre o romance de Walter e Alice né, mais sem sal que comida para hipertenso!

O enredo também é confuso, e o leitor passa a maior parte do tempo tentando entender as relações entre os personagens, eu até agora não sei se entendi quem é parente de quem kkkk. A estrutura também é fraca, pois coloca mazinho dizendo a Alice que Noel colocou drogas na bolsa de Alessandro, coisa que, se simplesmente tivesse dito e denunciado a dez anos atrás, nada daquilo teria acontecido! O Texto também não consegue dar razões plausíveis para a decisão de Catarina de lançar aquele desafio no testamento ao invés de somente deixar a herança para os dois primos.


Enfim, se por um lado, temos os tons cinzas e tristes de um protagonista solitário em uma cidade arruinada, mas que ganha cores e vida em cenas cheias de emoção e adrenalina impressionantes, por outro, temos uma trama que pretende ser quente, mas que acaba mesmo congelando qualquer expectativa!


Então é isso pessoal, espero que tenham gostado do nosso especial. Meu desejo é fazer diversos desses, o que acham da ideia? Bem, espero vocês na próxima. Beijoo e bye bye!





 
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Notas DIGG TV

1. Essa coluna está protegida pela lei nº 9.610/1998, Art. 46 III, que protege a utilização de qualquer obra ou trechos dela, em qualquer mídia ou meio de comunicação para fins de crítica, estudo, ou polêmica.
2. As opiniões expressas nessa coluna não refletem necessariamente as da DIGG TV. Elas são de total responsabilidade do autor.
3. Este quadro não tem como intuito rebaixar ou menosprezar qualquer autor ou obra, mas sim, de abrir um diálogo em prol da qualidade literária.
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16 comentários:

  1. Morto, não podem ter acusar de puxar saco de ninguém

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  2. Já deu uma olhada em algum novela/série do Aster tv?

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    1. Oi, eu fiz um resenha da novela "destino", mas não me lembro se fiz outra desse site. Mas adoraria conhecer, é só recomendar que eu adiciono a lista, ok? Beijo. ❤

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    2. Sim kkkk queria de Porcelana, não sei se já pediram kk

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  3. Nossa Érika, quando você falou que era do mesmo autor de Anti-Herói, fiquei aguardando a crítica e achava que viria outra nota alta... Mesmo assim, fiquei querendo ler a trama.

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    1. Eu também fiquei na expectativa, infelizmente essa trama não foi tão boa, mas enfim sempre tem outras oportunidades. 😘

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  4. Primeiro quero agradecer o tempo de leitura e análise, ainda mais dedicada ao dia de hj. GP merece por td que já causou. Quem viveu, sabe kkkkkk. Mas quero só fazer umas ressalvas:

    1. GP é de 2016, mas foi reprisada na Cyber em 2018. Portanto, antes de Anti-Herói ser concebida. Então evolui mais q Pokemon, graças a Deuxxx kkkkkkk;

    2. Catarina tinha a ingenuidade de acreditar que, unindo Alice e Noel na mesma fazenda eles poderiam se entender com a família, por isso o desafio;

    3. Alessandro não virou quase mocinho no final. Existem paixões obsessivas e destrutivas, e o simples fato dele ser apaixonado não o coloca na condição de bom moço. Só que a paixão que ele tinha virou ódio e obsessão. Tanto que no final ele tinha o intuito de perseguir Alice e Walter.

    Eu quis mostrar ali, portanto, como a educação opressora pode tornar alguém revoltado. Apesar de ter mais carinho do pai, Avelino criou o filho pra tocar a fazenda, sem se importar de quem ele gostava. Não defendo quem tem desvio de caráter como ele, mas uma família desestruturada pode dar esse resultado.

    No mais, Gato Preto era sobre relacionamentos tóxicos dentro da família. Ela foi concebida logo após uma série que deu origem a Anti-Herói (Raíza). Talvez, meu erro, foi ter escrito naquele mesmo ano, quando eu deveria ter dado um tempo.

    Aproveitando a ocasião, Gato Preto está no catálogo da webtvplay. Em breve, chega Anti-Herói que, atualmente, tá sendo exibida na Cyber tb.

    webtvplay >> https://webtvplayonline.blogspot.com/

    É isso, pessoas! Obrigada e até a próxima história <3

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    1. Ufa! Menina, você me livrou de uma bela dor de cabeça, pois mesmo me esforçando, eu não conseguia entender como havia ocorrido tamanha "involução" kkkk. Mas fico feliz então e bem aliviada. Pode deixar que eu vou corrigir o texto. E sim, você evoluiu e muito, anti-herói melhorou-se em todos os elementos! Portanto, mal posso esperar pela próxima!
      Bom, em relação a obra, nada a acrescentar. Ela é fraca, principalmente se comparada a sucessora.
      Como eu disse, eu compreendi o intento de Catarina, ele apenas não convenceu.
      A dualidade de alessandro sofre de vários problemas, não somente pela paixão por Alice, mas em várias situações em que a sadicidade se contrastava com cenas de bondade, mas nada encaixava em uma personalidade só. Coisa que aconteceu inclusive com todoa os outros.
      E nesse caso, entra o caso do que foi proposto e do que foi realmente colocado: muitas vezes, nós autores imaginamos a história com suas características e nuances, mas ao passar para o papel, falhamos em transmitir essa visão de forma exata para o público, coisa mais que comum, visto que é muito dificil. E isso acaba por nos fazer crer que o leitor se sente da mesma forma que nós sobre a trama, mas posso garantir que muito do que você imaginou ter passado, não cumpriu seu objetivo.
      Porém, é de nós mesmos defendermos nossas crias, né, mas eu diria para não apegar-se muito não. Todos nós teremos obras que servirão como bases apenas para melhores trabalhos.
      Fique contente pela sua evolução e siga se aprimorando. Beijo, fica com Deus! ❤❤

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  5. Adoreeeei, vc sempre arrasando. A próxima crítica será de que web?

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  6. Amei a critica. A próxima é Overland, certo?

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  7. Gostei da ideia de fazer um especial de Halloween trazendo justamente a crítica de uma web com esse tema, espero que tenha de outras datas comemorativas também, apesar de que seja difícil encontrar webs com temas para todas.

    Pela nota da web anterior da mesma autora dessa obra, pensava que seria algo parecido, mesmo que em minha opinião, a nota dada a essa não foi ruim. Bem, eu acho compreensivo a autora não ter conseguido passar o que ela queria, afinal temas como terror, comédia e etc são temas bem complicados de se fazer, principalmente quando temos a missão de agradar ao leitor ou passar medo ou risos nele, já que cada pessoa tem um tipo humorístico diferente.

    Boa crítica Erika! Qual será a próxima?

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    1. Obrigada, que bom que gostou. Eu também fiquei esperando algo parecido com "anti-heroi", mas infelizmente a autora não conseguiu encantar dessa vez.

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