24 de julho de 2020

ADOROWEB - O JULGAMENTO DE ÉRIKA G. PART1 : DE ONDE PARTE O ÓDIO?


Eu espalho o ódio. Minhas palavras são cheias de raiva, caçoo sem piedade, pois me acho superior e meu propósito é destruir a vontade dos autores de escrever. Bom, pelo menos é isso que você já deve ter ouvido sobre mim, estou certa? Não importa se nunca leu uma crítica minha, você instantaneamente sabe que eu sou o diabo! Mas não pense que estou aqui para mudar sua mente, não, ao invés, para propôr um desafio: examinarmos juntos todas essas alegações em busca de descobrirmos se elas são verdadeiras ou não.

Afinal, todo aquele que sofre de uma acusação tem o direito de um julgamento e uma defesa. Se no fim, você ainda me considerar uma megera filhote de satanás, tudo bem, mas que ao menos seja baseado em fatos!

Toda a acusação tem por base um ato, ou seja, eu devo ter feito algo para meus acusadores. Mas primeiro, vamos avaliar o que eu faço. Bem, o ADOROWEB é uma coluna de críticas de história virtuais, ou seja, basicamente, meu trabalho é ler uma obra e dizer o que achei dela, simples assim. E é isso o que de fato acontece, em nenhum dos meus artigos você verá qualquer comentário sobre o autor da obra, ou qualquer coisa em relação a ele, apenas e tão somente minha opinião sobre a obra em si.

Bem, “e qual é o problema nisso?”, alguns podem se perguntar, nenhum, a não ser, dizem, pela maneira como me expresso que, como afirmam, promove o ódio. Mas aqui vem um terrível engano, quando confundem a ironia, o sarcasmo e o tom enfático com “ódio”. Vejam, quando uso o termo “enredo inútil”, não estou xingando ou insultando a obra, mas alegando que as cenas foram tão desalinhadas e sem propósito que no fim o enredo não serviu para nada. Da mesma forma, ao usar a expressão “lixeratura”, não estou destilando uma raiva contra quem seja, mas classificando as obras que sofrem da falta das características básicas para ser configurada como literatura.

Assim, não se trata de odiar qualquer autor, eu sequer conheço a maioria, mas somente usar as palavras precisas para nomear uma situação. Ora, se leio uma obra sobre os anos 70 em que os personagens de repente usam o Instagram (!!), minhas palavras devem refletir o meu abismamento em encontrar algo tão infantil e absurdo que ultrapassa a compreensão humana; qualquer outra expressão mais leve, não conseguiria exprimir o quão longe de uma boa literatura isso é. Levando em conta também, a proposta da coluna de ter uma linguagem solta e divertida.

Agora, ao repararmos nos comentários que recebo, veremos que muitos escritores, mesmo tendo recebido notas baixas com uma crítica cheia de sarcasmo e “palavras fortes”, não se escandalizaram, mas riram de seus tropeços e agradeceram a review, o que nos leva á constatação de que não é sobre as palavras que utilizo, eu podia muito bem dizer: “essa história é boa pra Cara@#$!”, que eles não iam se importar em nada, aliás, a maioria deles, escrevem narrativas com linguagem bem pesada e cenas de sexo explícitas; E nem se trata de receber uma má avaliação, pois muitos não ligaram, mas de um grupo pequeno de descontentes que não conseguem aceitar o fato de eu não ter gostado da história deles.

O problema é o terror que sentem da crítica, enxergando nela, não uma indicação de algo errado que deve e pode ser concertado, e uma oportunidade para evoluir, mas uma afirmação sobre a sua auto estima que tem o poder para sentenciá-los para sempre, assim, ao ouvir “sua história é ruim”, eles automaticamente ouvem “você é ruim”. É claro contatarmos então, que não tem nada a ver com a obra, mas com o ego pessoal.

Isso ocorre pela insegurança, um estado em que nos sentimos tão incertos sobre quem somos e nossas qualidades que, quaisquer palavras que indiquem um traço inadequado em nós, agem como um sopro em um castelo de cartas. Ameaçado em seu lado pessoal, o indivíduo transmite isso para o outro, acreditando que suas motivações também são pessoais, pois ele não consegue separar seu ego de todo o processo. Desta forma, o crítico somente critica porque o persegue ou tem algo contra ele e não porque simplesmente não acha sua história boa.

Mas para provar a minha tese, neste julgamento, utilizarei mais do que palavras, mas a prova cabal de como esse processo acontece na prática: O CASO LAZARO.


 


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Notas DIGG TV

1. Essa coluna está protegida pela lei nº 9.610/1998, Art. 46 III, que protege a utilização de qualquer obra ou trechos dela, em qualquer mídia ou meio de comunicação para fins de crítica, estudo, ou polêmica.

2.     As opiniões expressas nessa coluna não refletem necessariamente as da DIGGTV. Elas são de total responsabilidade do autor.
3.     Este quadro não tem como intuito rebaixar ou menosprezar qualquer autor ou obra, mas sim, de abrir um diálogo em prol da qualidade literária.
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