Heloo
Weblovers, como vocês estão? Bem, imagino que bem melhores do que a cinco meses atrás, não é mesmo? Quem diria que iríamos passar por tudo
aquilo! De fato, se não fosse o óleo estar custando 6 reais eu julgaria que tudo não passava de um pesadelo,
mas, graças a
Deus, a vida pouco a pouco retorna a seu ritmo normal e poderemos voltar a nos
preocupar com problemas menores... Como o câncer e a alta taxa de homicídios!

Autor(a): Francisco Siqueira
Ano: 2019
Bom,
ao menos não
estamos no nordeste do anos 30, época em que a fome ameaçava mais que a espingarda,
em que os coronéis dominavam sobre as regiões áridas e para o qual nos leva a história de hoje.
E
ela cumpre seu trabalho, utilizando-se de diálogos e costumes bem típicos daquela época e uma ambientação condizente. Ela se
repete bastante, com o autor referindo-se constantemente ao calor, ao invés de explorar novas formas
de descrever o cenário, e assim, não consegue dar vivavidade aquele
universo, mas, ao menos, estebelece o tom proposto.
No
entanto, lamento dizer que esta é a única coisa que sai conforme o
planejado nesta trama, como em um acidente de carro em que sobram somente as
rodas! E eu diria que este carro não somente deslizou na pista, como
desviou-se completamente do caminho, derrapou na curva e esbarrou em um caminhão indo direto na direção de um abismo. Um abismo
escuro e frio, lugar do qual todos os escritores fogem e tremem só de ouvir: o abismo da
indiferença!
Muitos
acreditam que o maior desafio de um escritor é criar uma boa história, e de fato, esta é uma dificultosa tarefa, no
entanto, se pensarmos bem, uma história em si não serve para nada, ela
nada produz, nada modifica. É o leitor o responsável por dar aquelas palavras vida e
significado, portanto, ela precisa ser lida. Mas o que faria alguém querer ler uma história? E então, chegamos a conclusão de que o maior desafio
de um escritor é fazer com que o leitor se importe.
Começamos com a saída de Josué de sua casa para fazer sua
campanha pelo sertão. Até aí não sabemos nada sobre o personagem, e, portanto, não poderíamos nos importarmos menos
com ele, e de repente, ele é colocado em perigo pela emboscada de Miguel, um de seus
campangas. O mesmo jura querer fazer vingança, cujo o motivo também nada sabemos. Até que a trama volta no
tempo, em busca de mostrar a razão para tal ato, ou seja, o que Josué teria feito para Miguel no
passado para que ele o atacasse tão ferozmente agora.
O
enredo é, então, baseado inteiramente
nesta ação do
passado que está tendo uma consequência no presente, sendo assim, é essencial que o texto
consiga, com a volta ao passado, fazer com que a audiência se importe pelos dois
personagens quando voltarem de novo para o presente. No entanto, nada poderia
estar mais longe da realidade desta obra!
Isso
porque sua narração nunca consegue nos fazer mergulhar nos sentimentos dos
personagens, como neste trecho em que ficamos sabendo um pouco do passado de
Josué:
Além do semblante imperturbável, trazia
consigo a determinação dos tempos do bando de Zé Porcino, quando participava de
emboscadas, raspando à faca de ponta as canelas das vitimas ou dando um banho
de querosene para em seguida riscar um fósforo na roupa do infeliz a fim de
conseguir a chave de um baú ou de um cofre… Fosse o que fosse, havia aprendido
com o antigo chefe, e também com a miserável vida, que nada de fora o
penetraria, mantendo, dessa forma, o coração arrojado, ao pé da goela.
Para
que o público
sinta por um personagem é necessário muito mais do apenas informá-lo sobre o mesmo, mas fazer com que
o leitor experiencie o mundo através dos sentimentos daquela persona,
vendo a realidade pelos olhos dele. É como se ouvíssemos o relato de uma
tragédia
na neve, por mais que nos esforçássemos, nunca conseguiríamos sentir os mesmos que aquelas vítimas, a não ser que nos colocássemos na mesma situação,
bem, da mesma forma opera a narrativa. É preciso inserir o leitor no lugar da
persona, o fazendo sentir-se como ele.
No
entanto, a narração resume os sentimentos de Josué de forma rápida e seca, não nos dando a chance de
nos inserirmos na pele dele, saber o que ele sente e como percebe o que está a sua volta. Mas pior é o que acontece com Miguel
que, sequer tem essa chance: a única coisa que sabemos dele é que ele viu o pai morrer a sua frente
pelas mãos de
Josué,
antes disso, nada e toda a sua construção após, a maneira com alimentou seu ódio, como viveu desde então, é completamente ignorada. E
você deve
estar imaginando o resultado disso, não é? Sim, caro leitor, quando voltamos
ao presente não há nada, nenhum sentimento de
empatia ou interesse por qualquer um desses personagens.
Somente
aqui teríamos
já
a resposta
para o fracasso de uma narrativa que se baseou na tragédia de duas pessoas mas não conseguiu fazer com que
o público
se importasse com elas. Mas também temos o problema da tragédia em si. Ela deveria ser
o grande ato central, pelo qual o enredo gira em torno e igualmente todos os
seus personagens. Mas acontece que ela nunca é representada dessa forma, na verdade,
nesta história
ela passa mais despercebida que silicone no carnaval! Josué mesmo passa a vida inteira
sem sequer lembrar do que fizera, e como poderia? Aquela não era a primeira vez que
matava e ele encarou a ação de maneira até banal. Ela não representa sequer algo
essencial em sua vida, pois nada muda por causa dela. Josué não enriquece pela
recompensa, mas sim por ter casado com uma comerciante.
O
grande tema, portanto, é apenas importante para Miguel, individuo que quase nunca
aparece na narrativa, e assim, o enredo se perde, não possuindo direção ou centralidade. Tudo o
que vemos são vários personagens expondo
como se sentem sobre seus próprios dilemas, mas sem chegar a lugar algum. Me digam, do que
importa sabermos que João ama a filha de Josué, se a trama não se centrou em seu drama
em se apaixonar pela filha do homem que matou seu pai, mas o deixou
completamente solto, sem resolução ou desenvolvimento?
E
essa é uma
grande questão
nesta série:
os dramas apresentados poderiam ser extremamente emocionantes, mas nunca são aproveitados. Como não seria se, ao invés de apresentar os pontos
de vistas de tantos personagens, ela focasse em apresentar a vida dos dois
protagonistas, simultaneamente, mostrando como Josué crescera em cima do ato
criminoso, como aprendera a ver o mundo e a se proteger, mas sempre
lembrando-se de seu ato, levando o leitor a uni-lo ao outro personagem, Miguel,
que do outro lado, alimenta seu ódio, tendo que viver ao lado do
assassino do pai, expondo ao leitor seus sentimentos e seus conflitos, e
criando o climax até a realização da vingança?
Já essa narrativa não poderia soar menos fora
de propósito!
Eu devo destacar sim a segurança do autor, ele apresenta uma condução segura e os diálogos soam bastante críveis na maioria das vezes.
Aliás, os
trechos, como a descrição de Fabiano e a raiva de Josué ao ver o pai abusando de sua irmã, foram bastante
eficientes e podemos ver a tentativa em dar a todos os personagens suas próprias cores e
complexidades, embora nenhum tenha conseguido ser verdadeiro no coração do leitor.
Isso
porque, suas complexidades nunca mostraram-se características de uma pessoa
inteira, real, mas um conjunto formado de informações, como se o autor se sentisse na
obrigação de
inserir personalidades complicadas em seus individuos. Exemplo disso é o padre
manuel, descrito como um sacerdóte controlador e arrogante, quando nenhuma de
suas ações ou comportamentos consegue manter essa informação, o mostrando, ao
contrário, como alguém caridoso e humilde. Não é difícil de perceber então que essas
características penas lhe foram postas para gerar um efeito forçado de
complexidade.
Todavia,
para que o leitor acredite em um personagem ele não precisa ser complicado ou cheio de
nuances, alguém
pode ser bastente simples e ainda ser entendido e amado, o que ele precisa
acima de tudo é ser
conhecido.
Amamos
aquele de quem somos íntimos, essa é uma verdade eterna e que deve ser aprendida pelo escritor se
quiser criar histórias que permaneçam na mente do leitor, a de criar um
mundo que abrace-o, que o faça sentir parte dele e tão conhecedor de seus individuos que
os confunda consigo mesmo, transformando-se eles próprios nos personagens de
nossas histórias.
Mas
ler "Inimigos", fez-nos sentir como Miguel, assistindo com um rosto
impassível a
morte do próprio
pai.
É isso guys! Espero que tenham gostado! Desejo a vocês toda a paz do mundo e que seus sonhos se realizem! Agradeço as sugestões que me ajudam a conhecer tantas tramas interessantes, sem vocês eu nada seria, thank you! Beijoo e bye bye!

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Notas DIGG TV
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Nossa tive que reler essa crítica muitas vezes pra entender a história da obra, que história confusa, meu Deus kkkk Enfim! Qual a próxima?
ResponderExcluirA próxima web será Força de um sonho do Ranable webs 😘👍
Excluircritica Incognita do Web Novelas Channel
ResponderExcluirOpa! Já está anotado! 😍👍
ExcluirErikaaaa, eu gostaria que quando estreasse (e finalizasse) você desse sua opinião sobre a novela "Safira" que deve estrear no ranable novelas!
ResponderExcluirE deixe sua critica também sobre a novela "Ouro Blindado" da Selminha <3